Confira as belezas do Parque Estadual de Vila Velha

Texto: Tatiana Gerasimenko

Diz a lenda que o Parque Estadual de Vila Velha, no Paraná, nasceu com um castigo. Itacueretaba, a “cidade extinta das pedras” abrigava habitantes responsáveis pela segurança de um precioso tesouro de Tupã e, em troca, recebiam a sua proteção. Para resguardar o segredo, uma regra deveria ser seguida: os apiabas, varões escolhidos entre os melhores homens de toda a tribo, não poderiam ter contato com mulher alguma, caso contrário a riqueza sagrada seria revelada para os inimigos em dois segundos.

Uma das tribos rivais soube da estratégia e enviou a bela Aracê Poranga – a aurora da manhã – para seduzir Dhui, chefe supremo dos guerreiros locais. Apesar de tudo, a moça caiu na graça do moço e, tendo lhe dado um licor de butiás para embebedá-lo, resolveu tomar também. E os dois se amaram debaixo de um ipê, e Tupã ficou logo sabendo. Furioso, provocou um terremoto sobre toda a região, e a antiga planície se transfigurou em suaves colinas. O povoado foi transformado em pedra, o chão se dividiu em várias partes e o tesouro foi derretido, formando o que hoje é a Lagoa Dourada.

Em função desta beleza resultante da ira de Tupã, a região – com uma área de 3.122 hectares de campos naturais – foi tombada pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado em 1966, muito tempo depois do segredo ser revelado. Os visitantes, que podem ser varões ou mulheres (hoje em dia já não importa), podem passear em meio aos arenitos, furnas e encantos do local. Além disso, se tiverem sorte e muito amor à natureza, podem ouvir a última frase de Aracê ao lado da lagoa: “Dormirei contigo”.

Vila Velha de Ponta Grossa

O Parque Estadual de Vila Velha fica a 22 quilômetros do centro de Ponta Grossa (PR), no sentido Curitiba, na margem direita do Rio Tibagi (Rio do Pouso). Criado em 1953, abriga uma fauna variada, que permite ao visitante vislumbrar lobos-guarás, veados, tatus, pica-paus, tamanduás-bandeira e mirins, jaguatiricas e muitos outros.

O maior destaque do local são as formações rochosas: foram produzidas há milhões de anos, e o desgaste do tempo fez com que as erosões se transformassem em obras quase artísticas. Algumas delas se assemelham a navio, camelo, índio e a famosa taça.

Uma trilha de aproximadamente duas horas, feita justamente para facilitar a visualização das esculturas naturais, permite ao visitante conhecer alguns pontos especiais da região: a Pedra Suspensa, as furnas e a Lagoa Dourada.

Parque de Vila Velha

As 23 formações rochosas do parque foram produzidas há aproximadamente 350 milhões de anos. A região vulcânica era coberta por um lençol de gelo e, com as mudanças climáticas, o derretimento levou toneladas de fragmentos rochosos e de areia. Combinando a ação dos ventos e das águas, acabaram por se apresentar como são hoje – arenitos esculpidos pela ação do tempo.

Mas o visitante deve ficar atento, porque olhando para as esculturas pode esquecer das obras no chão. As furnas, conhecidas como “caldeirões do inferno” (embora estejam mais para maravilhas naturais), são estruturas falhadas no solo com poços de águas cristalinas. Uma das quatro crateras da região chega a ter uma profundidade de 107 metros, 53 deles submersos e 54 da boca até o nível da água, que pode ser visualizada por um elevador panorâmico.

Uma distância de três quilômetros conduz as águas das furnas à Lagoa Dourada, localizada no meio do bosque. Tem 320 metros de diâmetro e profundidade máxima de dois metros apenas. A coloração do lago é resultado do reflexo do Sol misturado ao fundo de mica.

A responsabilidade do Parque de Vila Velha é do Governo do Estado do Paraná.

Mapa do local