Confira entrevista com Torben Grael sobre a 4ª etapa da Volvo Ocean Race

Tema:Iatismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 15/3/2006

Após três meses longe de casa, o bicampeão olímpico Torben Grael finalmente pode descansar. O comandante do Brasil 1 estava longe do Rio de Janeiro, ou melhor, de Niterói, onde mora, desde dezembro, quando foi para a África do Sul para a segunda etapa da Volvo Ocean Race. Problemas como a quebra de mastro nos mares do Sul, a viagem do barco de caminhão pelo deserto australiano e várias noites sem dormir, foram a causa do longo período de ausência.

Mesmo assim, Torben vê todos os problemas como parte da competição. Afinal, depois de tantos contratempos, a tripulação brasileira está calejada para os apuros que ainda podem surgir até junho, quando termina a edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race.

A quarta etapa, que terminou na semana passada, foi especial para todos da equipe. O time passou pelo Cabo Horn e fez a melhor perna desde o início da competição, perdendo um lugar no pódio por falhas de equipamento nos últimos quilômetros antes de chegar ao Rio. O desempenho foi tão bom que o comandante avisa: a partir de agora, o Brasil 1 pode virar a mesa e subir na classificação.


Confira a entrevista com Torben Grael, comandante do Brasil 1

Qual é o balanço da quarta perna?
Torben Grael - Completamos a volta ao mundo. Tivemos um momento inesquecível para qualquer velejador, que foi a passagem pelo Cabo Horn e, na avaliação que fizemos neste domingo, acredito que tudo foi muito positivo. Exceção às dificuldades com as velas na chegada que, talvez, com mais treino teríamos resolvido mais rapidamente e não perderíamos a terceira posição, como aconteceu. Além disso, esta etapa foi importante para treinarmos o grupo e entendermos melhor como o barco se comporta. Aprendemos muito. Acho que agora teremos um rendimento muito melhor.

Como foi a passagem pelo Cabo Horn?
Torben Grael - É uma região impressionante, com ventos muito fortes, ondas incríveis e, antes de chegar ali, você está numa região do planeta onde não tem socorro e terra nenhuma por perto, o que dificulta para um eventual problema. São os chamados mares do Sul. Passar por esta área foi uma grande experiência para todos nós. E, algo que também impressiona, é a diferença entre o Horn e o Atlântico. Enquanto você está lá no meio, o mar é revolto e a velejada é dura, mas, ao passar por ele, tudo fica calmo.

Como foi o problema com o Movistar, vocês chegaram a mudar o curso para socorrê-los?
Torben Grael - Este foi um momento muito delicado. Recebemos o pedido de ajuda pela organização e já estávamos nos preparando para mudar o curso e socorrê-los quando novamente nos avisaram que eles tinham superado as dificuldades. Felizmente sanaram rápido o problema do vazamento, pois a água naquela região é extremamente fria. Antes disso, também nos mares do Sul, o Ericsson teve um problema parecido com o nosso na chegada e fizeram um jibe chinês, ficando sem controle durante alguns momentos. Esta é uma situação difícil e perigosa sempre, principalmente naquelas águas.

A chegada em quarto lugar foi decepcionante para você?
Torben Grael - Fizemos uma perna excelente, com escolhas corretas na maior parte do tempo. Passamos o Cabo Horn em terceiro e só erramos pouco antes da chegada. Perder o pódio foi decepcionante, sim, mas quando chegamos no final da madrugada e vimos centenas de pessoas nos esperando ganhamos uma nova força e motivação. Achávamos que pouca gente estaria nos esperando.

O Brasil 1 leva vantagem na regata local na Baia de Guanabara por conhecer a raia?
Torben Grael - É claro que conhecemos bem o processo de ventos e correntes da Baia de Guanabara e isto pode nos ajudar. Mas as outras equipes também terão a ajuda de algum velejador local, exatamente como fizemos nos outros países. Assim não dá para prever com antecedência o que vai acontecer. O sistema de ventos na Baia é bastante instável, mas vamos lutar muito para dar alegria para a nossa torcida.

O que muda na tripulação a partir desta etapa?
Torben Grael - Estamos evitando mudanças, pois o grupo está entrosado e, agora, muito bem treinado. Apenas teremos a volta do Marcelo (Ferreira) no lugar do Knut, o que já estava previsto. A volta do Marcelo é sempre interessante, pois além de grande velejador ele tem ótimo astral, o que ajuda nas travessias. O Knut foi contratado para velejar os mares do Sul , região que não conhecíamos bem. E agora volta para o seu país. O Horácio, que velejou também na primeira perna, continua na tripulação, pois ele conhece tudo do barco e sua presença tem sido muito importante. Ele nos dá confiança. Na regata local vamos ter, como sempre, o reforço do Alan Adler.

Quais são os próximos objetivos do Brasil 1 para a segunda metade da competição?
Torben Grael - Queremos melhorar nossa posição na classificação e sei que temos plenas condições para isso. Se não fossem as duas quebras da segunda perna isto já teria acontecido. Acredito que, a partir de agora, vamos obter resultados ainda melhores. Estou muito otimista com o grupo e confiante no barco, que se saiu muito bem na etapa mais difícil, que foi esta entre a Nova Zelândia e o Rio.





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