Amazônia: De São Gabriel da Cachoeira a Santa Isabel do Rio Negro

Tema:Expedições
Autor: Marcelo de Paula/ Código Solar
Data: 10/11/2012

Na calha do Rio Negro! Começou a expedição a remo de Angelo Corso e Mário Vidal! O primeiro dia de remada foi curto, pois a saída de São Gabriel da Cachoeira ocorreu no final da manhã e a idéia deles foi remar umas três horas para sentir a desenvoltura dos caiaques junto aos equipamentos e bagagens e em seguida parar numa praia de rio abrigada, para descansar e levantar muito cedo do dia seguinte e, aí sim, entrar na rotina de remada da Expedição Amazônia.

O primeiro acampamento foi numa pequena e simpática praia ainda no território do Município de São Gabriel da Cachoeira. Dividida entre barracas e redes de selva a equipe preparou uma rápida refeição, seguida de inúmeros mergulhos no Rio Negro para abrandar o intenso calor, que só diminui mesmo após o por do Sol. Hora de acender uma boa fogueira, que é uma prática de segurança para quem acampa na selva, e ir se preparando para dormir, que o dia logo vem para cobrar nossa energia!

Acordamos e rapidamente tomamos um café enquanto vamos desmontando o acampamento e nos preparamos para partir rumo ao próximo acampamento. Um banho de rio matinal é fundamental para acordar de vez!

Bom dia Amazônia!!

Caiaques e barco na água outra vez: partimos. Fomos acompanhando os caiaques e visualizando a Serra da Bela Adormecida ficar para trás, vendo os caiaques engolir cada quilômetro dessa distância que separa o início do fim da Expedição.

Como a função principal de filmar e fotografar Angelo e Mário, eu e Leonardo estamos sempre acompanhando o ritmo dos remadores. Vendo onde e quando vão querer parar para visitar uma comunidade, descansar, comer ou mesmo parar para montar acampamento e dormir até o dia seguinte.

Em aproximadamente seis dias de remada entre São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, a rotina da Expedição apresentou-se da seguinte forma: entre acampamentos em praias do Rio Negro ou em comunidades ribeirinhas, a alvorada ocorria por volta das quatro horas da matina, a remada dos esportistas durava aproximadamente seis horas/dia, logo em seguida procurávamos um local adequado para acampar e dormir. Isso ocorria por volta das 14 ou 15 horas da tarde e, então, havia bastante tempo para toda equipe curtir ótimos banhos no Rio Negro, recuperar-se do calor escaldante, comer e descansar o corpo ao máximo antes do retorno ao esforço das remadas de mais um dia.

Na busca de melhores ângulos para filmagem e fotos, eu e Leonardo íamos à frente dos caiaques procurando pedras, vegetações e praias do Rio Negro para montar o tripé e fazer seqüências estáveis que inserissem os caiaques no cenário natural da região. Sendo um índio local, Leonardo logo começou a tirar proveito dessas situações e passou a pescar enquanto aguardávamos a passagem de Angelo e Mário. Boa alimentação garantida! Depois era só limpar e assar na fogueira!

Outra questão interessante a ser relatada, diz respeito à água que bebíamos! Na grande maioria das vezes era a água cor de chá do próprio Rio Negro, com algumas gotas de hipoclorito de sódio, que é um composto químico a base de cloro, que serve para purificar a água e é ou deveria ser distribuído gratuitamente às populações ribeirinhas de várias regiões do Brasil. Outrora, na década de 90, cansei de beber água do Rio Araguaia sem precisar colocar nada, mas o meio ambiente mundial mudou muito desde então!

Ainda assim, em muitas comunidades ribeirinhas do Rio Negro há água potável direto de nascentes. É a chamada água branca pela população regional. E uma das melhores que bebemos foi da Comunidade da Serrinha. Água limpinha, fresca e deliciosa que descia de uma pequena serra dentro da Floresta Amazônica. Aliás, nós também dormimos nessa comunidade e fomos muito bem recebidos, montamos acampamento dentro de um galpão que é usado para festas, ganhamos água de coco e ainda ajudamos um dos moradores que estava com muita dor de dente e sem remédio para tal enfermidade.

Nesse trecho da Expedição ou da região, a formação de serras é rara e por isso mesmo qualquer uma que apareça no caminho chama a atenção. Como a Serra do Jacamim, que é indício de aproximação com a cidade de Santa Isabel do Rio Negro. E o único dia de chuva constante durante a remada, aconteceu justamente nessa parte do Rio.

Muito legal também é ver os caiaques navegando ora num imenso Rio Negro, ora em braços estreitos do Rio, que são denominados de Paraná. Quando a vegetação amazônica surge mais detalhada em formas e cores.

Na chegada a cidade de Santa Isabel do Rio Negro um temporal separou a equipe. Eu corri para me abrigar no Hotel Maycon, o único da cidade. Angelo, Mário e Leonardo foram para a outra parte da cidade, na margem oposta do Rio, pois o local era mais abrigado para os caiaques. Depois de alguns dias de acampamento, dormir numa cama com ar condicionado e tomar um banho de chuveiro com água caindo de cima é muito confortável!

Ficamos dois dias em Santa Isabel do Rio Negro para poder descansar e seguir viagem!

Próximo texto: de Santa Isabel do Rio Negro a Barcelos. As belezas do Arquipélago de Mariuá, considerado o maior arquipélago fluvial do mundo.





© Copyright 1998 - 2012 - 360 GRAUS MULTIMÍDIA
Proibida a reprodução integral ou parcial, para uso comercial, editorial ou republicação na Internet, sem autorização mesmo que citada a fonte.

Compartilhe:


Livros:

Equipamentos:

  • Parati: charmosa, elegante e cheia de histórias de aventuras
    Lugares
    Parati: charmosa, elegante e cheia de histórias de aventuras
  • Parque Nacional de Monte Roraima
    Parques
    Parque Nacional de Monte Roraima
  • Rota dos Sonhos: trilhas, cultura e muita aventura
    Lugares
    Rota dos Sonhos: trilhas, cultura e muita aventura
  • Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
    Parques
    Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
  • Parque da Restinga de Jurubatiba. Equilíbrio Biológico Global
    Ecoturismo
    Parque da Restinga de Jurubatiba. Equilíbrio Biológico Global
  • Penedo: conheça a bela 'pequena Finlândia' do Brasil
    Ecoturismo
    Penedo: conheça a bela 'pequena Finlândia' do Brasil