Telescópio Hubble vive os capítulos finais de uma história gloriosa

Tema:Expedições
Autor: Agência Fapesp
Data: 6/8/2007

O Hubble vive os capítulos finais de uma história gloriosa. Em 2013 chegará ao fim a aventura do telescópio espacial que, lançado em 1990, mediu a idade do Universo, mostrou detalhes espetaculares e sem precedentes do espaço sideral, desencadeou diversas novas teorias e gerou mais de 7 mil artigos científicos.

Na avaliação do brasileiro Ivo Cláudio Busko, astrônomo da equipe responsável pelo Hubble no Space Telescope Science Institute (STScI), o telescópio não apenas cumpriu sua função como foi mais bem-sucedido do que o esperado.

“O balanço desses 17 anos é extremamente positivo. O retorno foi muito maior do que se podia imaginar na época do lançamento, porque o equipamento levou a descobertas totalmente inesperadas, trouxe muitas respostas e gerou novos problemas científicos”, disse Busko à Agência Fapesp.

Busko acompanhou o lançamento do Hubble em 1990, quando fazia pós-doutorado no STScI, com apoio da FAPESP. De volta ao Brasil, integrou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 1995, retornou aos Estados Unidos, contratado pelo STScI. Atualmente, trabalha na construção do telescópio espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês), que será lançado em 2011 para substituir o Hubble

De acordo com Busko, a vida útil do Hubble será prolongada por cinco anos a mais do que o previsto inicialmente, graças à quinta missão tripulada de manutenção e atualização, que deverá ser realizada em dezembro de 2008. “Cinco anos depois, o Hubble deverá ser desativado definitivamente”, disse.

O pesquisador explicou que o Hubble requer missões tripuladas periódicas para substituir componentes que têm vida útil determinada, como giroscópios, baterias e painéis solares e para substituir os instrumentos científicos por outros mais modernos.

“Além disso, é preciso reerguer o telescópio para uma órbita mais alta, uma vez que ele desce continuamente devido ao arrasto da atmosfera, ainda apreciável na altitude relativamente baixa em que fica, a 600 quilômetros da Terra”, disse.

Busko lembra que o próprio ônibus espacial será removido de serviço. Com isso, o Hubble estará naturalmente condenado, pois deixará de contar com um veículo para que suas manutenções sejam realizadas. “A última missão do ônibus acoplará ao telescópio um módulo robótico de de orbitagem, que fará com que ele caia em um local específico do mar, em 2013.”

Segundo o astrônomo, um instrumento como o Hubble é projetado tendo em vista os problemas científicos do momento. Depois de certo tempo de uso, o retorno é cada vez menor, justificando sua desativação. “A operação se torna cara demais para ser mantida. E os problemas científicos, inclusive graças ao próprio Hubble, mudaram bastante nesses anos.”

Em seus 17 anos, o Hubble fez cerca de 800 mil observações e acumulou meio milhão de imagens de mais de 25 mil objetos celestes. O equipamento realizou cerca de 100 mil viagens em torno da Terra, percorrendo cerca de 3,8 milhões de quilômetros – a distância equivalente a uma viagem de ida e volta a Saturno. Foram produzidos mais de 30 terabytes (trilhões de bytes) de dados.

“É difícil mencionar as principais contribuições do Hubble à ciência, porque foram muitas. Uma elas foi confirmar a evidência da existência de energia escura. Já se sabia que a expansão do Universo estava em aceleração, mas ele permitiu calcular o valor dessa aceleração”, disse Busko.

O Hubble enviou à Terra imagens inéditas do Sistema Solar, de estrelas distantes e de galáxias formadas logo após o Big Bang. Por sua vez, o JWST é destinado a novos problemas científicos e deverá ser capaz de investigar o espaço muito mais profundamente e talvez observar o próprio nascimento do Universo.

“Esse tipo de questão é mais bem abordado por meio da região infravermelha do espectro eletromagnético. Ao contrário do Hubble, que é voltado para a luz visível e para o ultravioleta, o JWST é otimizado para o infravermelho, de forma a enxergar imensas distâncias e passados longínquos”, explicou Busko.

Uma das condições para funcionamento do JWST é que o telescópio seja posicionado o mais longe possível da Terra e da Lua, que são fontes de infravermelho fortes e que prejudicariam as observações. “Por isso, o JWST ficará em um dos chamados pontos lagrangianos do sistema Terra-Lua-Sol, cuja distância da Terra é semelhante à distância da própria Lua. Em outras palavras, estará totalmente fora do alcance de qualquer espaçonave tripulada projetada para as próximas décadas”, disse.

Como o novo telescópio não contará com viagens posteriores de manutenção, como o Hubble, ele precisará ser completamente autônomo, contendo todos os elementos necessários para que se autoconserte a partir de comando remoto. “O projeto é todo robótico, redundante, móvel e posicionável”, disse.

Segundo o professor, o JWST será lançado pelo foguete europeu Ariane 5 e deverá ter uma vida útil de dez anos. O telescópio é o primeiro de uma nova geração de observatórios espaciais feitos para órbitas a mais de 1 milhão de quilômetros da Terra. Ele terá alcance maior do que todas as observações feitas até hoje.

O novo telescópio custará cerca de US$ 4,5 bilhões, incluindo desenvolvimento, lançamento e operação. Só a missão a ser lançada em dezembro de 2008 consumirá cerca de US$ 900 milhões. O Hubble custou entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões.





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