Entrevistamos Júlio Fiadi após seu primeiro teste com trenó polar

Tema:Expedições
Autor: Redação 360 Graus
Data: 9/2/2007

O brasileiro Júlio Fiadi, 45 anos, está pronto para seu novo e grande desafio: caminhar sozinho mais de 1200 quilômetros, do litoral da Antártica até o Pólo Sul geográfico, arrastando consigo o trenó com toda sua bagagem. O trenó não só transportará tudo o que ele precisará para sobreviver durante 60 dias sobre a calota polar, mas também será sua casa durante toda a jornada.

A Antártica é o mais isolado, alto, frio e ventoso continente do nosso planeta. No seu interior, a 3 mil metros de altitude, distante quase 4 mil quilômetros da cidade mais próxima, encontra-se o Pólo Sul geográfico.

O trenó utiliza uma tecnologia avançada disponível em materiais compostos como kevlar, fibra de carbono e divynicell (a mesma hoje empregada na indústria aeronáutica e nos carros de Fórmula 1) foi possível desenvolver um casulo rígido e extremamente leve , capaz não só de transportar todos os alimentos, combustíveis e equipamentos necessários à expedição, mas também servir de abrigo durante os 60 dias da jornada.

Confira o que Júlio Fiadi nos contou após seu primeiro teste na Antártica:


360 Graus - Como foi o teste? O que precisa ser melhorado? O que funcionou perfeitamente?
Júlio Fiadi - O teste foi muito positivo. Encontrei condições muito difíceis este ano na Antártica. Após esperar 10 dias em Punta Arenas, por uma previsão de tempo favorável para voarmos para o gelo, pousamos com o Ilyushin 76 com ventos de 45 nós (de través) em Patriot Hills. Apesar das dificuldades, o mal tempo proporcionou condições de testes extremas para sabermos se a cápsula resistiria às hostilidades da Antártica. Fiquei muito satisfeito com a rigidez e leveza do conjunto, com o conforto térmico, com a ergonomia e a praticidade desta nova forma de deslocamento em regiões polares.

Os sistemas elétrico e de comunicações, desenvolvidos e instalados pelo Igor Alexandre, mostraram-se perfeitos. Os painéis solares alimentaram as baterias com mais energia do que eu conseguia gastar. Foi possível enviar textos e fotos de dentro do trenó, através do meu computador conectado ao telefone satelital Iridium.

Precisamos melhorar algumas vedações e a fixação das tampas dos compartimentos de carga, mas são pequenas alterações que não mudam em nada o conceito inicial.

360 Graus - A expedição já tem data marcada?
Júlio Fiadi - Em Novembro próximo, devemos iniciar a caminhada do litoral da Antártica e tentar chegar ao Pólo Sul (aproximadamente 1200 kmts).

360 Graus - O que acontecerá, caso precise de resgate? (que opções de resgate existem no trecho que você irá percorrer?)
Júlio Fiadi - Caso necessite, só poderei ser resgatado se conseguir chegar a algum ponto onde um avião Twin Otter, usando esquis, consiga pousar. As distâncias são muito grandes, e não possibilitam autonomia para um resgate de helicóptero.

360 Graus - Como fará com a alimentação?
Júlio Fiadi - Toda a água para beber e cozinhar, será produzida com o derretimento de neve em fogareiros pressurizados usando benzina como combustível. Alimentos altamente calóricos é o que mais vou consumir.

360 Graus - Qual será o ponto de partida?
Júlio Fiadi - Vai depender das condições climáticas e do estado do gelo na ocasião, para definir o ponto de partida.

360 Graus - Como retornará da chegada ?
Com um resgate aéreo, pelos Twin Otters, a ser feito no Pólo Sul.

360 Graus - Quais são os custos estimados do projeto?
Júlio Fiadi - Por ora, segredo, pois estamos negociando com parceiros comerciais.

360 Graus - Há algum patrocinador?
Júlio Fiadi - Já temos o patrocínio da Barracuda Technologies, o maior distribuidor de plásticos reforçados da América Latina, mas ainda estamos negociando com outros parceiros comerciais.

360 Graus - É viável imaginar um dia grupos de turistas fazendo o mesmo tipo de viagem em trenós individuais? Ou algum trenó (tamanho família) para ser puxado por duas pessoas?
Júlio Fiadi - Acho que sim. Quando lancei a idéia da cápsula rígida, a maioria não acreditou na sua viabilidade. Agora, na Antártica, cercado por exploradores experientes de diversos paises, era gratificante ver o entusiasmo de todos com o sucesso de nossos testes. É uma nova opção na forma de deslocamento em regiões polares.

Para maiores informações: www.juliofiadi.com.br





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