História sem fim

Tema:Expedições
Autor: Tatiana Gerasimenko
Data: 8/10/2007

O norueguês Fridtjof Nansen já havia atingindo em 1893 o Ártico e abriu caminho para Robert Peary fincar a bandeira norte-americana no ponto mais setentrional. O Pólo Sul seria alcançado por outro explorador da Noruega em 1911: Roald Amundsen. Era hora de aprofundar os conhecimentos adquiridos, ou ampliá-los como nunca antes havia sido feito.

O naturalista e explorador William Beebe encantou-se com o exótico e leu em Lewis Carroll o fascinante mundo dos animais. Cismou com uma idéia e, finalmente, conseguiu realizar seu desejo: em 1930 desceu no oceano da região das Bermudas em uma batisfera, relatando suas impressões sobre as incríveis criaturas que existiam quase um quilômetro abaixo da superfície. Depois de anos, Jacques Piccard e Donald Walsh recorriam ao batiscafo Trieste para imergir a uma profundidade de 10.916 metros no Pacífico.

Ao mesmo tempo em que homens como Jacques-Yves Cousteau aperfeiçoavam o conhecimento a respeito dos habitats submarinos, outros aventureiros se dispunham a alcançar altitudes jamais atingidas. O neozelandês Edmund Hillary junto com o sherpa Tenzig Norgay, chegaram em 1953 no topo da montanha mais alta do mundo - o Everest. O depoimento de Hillary ressaltou o caráter da exploração nos tempos modernos: "Subimos porque ninguém o escalara antes. Era uma montanha que tinha de ser escalada".

Os céus também deveriam ser "descobertos". Então Yuri Gagarin, primeiro homem no espaço, ao orbitar a Terra em 1961 revelou o Planeta Azul. Depois de oito anos, em 1969, a missão da Apollo 11 permitiu que o homem pisasse na Lua. Uma viagem de 384 mil quilômetros no espaço provou aos espectadores de todo o planeta que a exploração humana não teria mais fim. A maior proeza de todos os tempos, a viagem Da Terra à Lua - escrita 100 anos antes por Júlio Verne - tornava-se realidade.

Do fundo do oceano ou do céu, o homem provou ser capaz de driblar os limites da natureza - transformando as barreiras em extremos possíveis. "Gosto de sonhar que ainda existam uns poucos lugares da Terra que não sofreram com as pegadas do homem", desabafa Margi Moss, que já deu uma volta ao mundo ao lado do marido Gerard. Rubens Villela, primeiro brasileiro a pisar no Pólo Sul em 1961, completa: "Não, não acho que tudo na Terra tenha sido explorado. Só no Brasil, quantas cavernas à espera dos espeleologistas? Na Antártica continuam sendo feitas descobertas surpreendentes", ressalta. "Não devemos confundir exploração com reconhecimento do terreno - este é apenas o primeiro avistamento: a verdadeira exploração vem com o aprofundamento da busca, com a execução de mapas mais exatos (as cartas náuticas na Antártica ainda deixam muito a desejar), com a orientação de conhecimentos científicos".

Airton Ortiz, autor de seis livros sobre viagens, concorda. Para ele "a era das grandes explorações está apenas começando". Diz que "no momento o grande desafio é encontrar vestígios arqueológicos do último ancestral comum aos humanos e aos chimpanzés, o ano zero da humanidade". E informa: "Exploradores estão trabalhando arduamente na África em busca dessa descoberta e quem fazê-la entrará para a história alguns degraus acima do lugar ocupado por Amundsen, até agora o maior de todos, no meu ponto de vista".

Como eles, tantos espíritos aventureiros procuram descobrir ou redescobrir um pedacinho do universo - seja ele um pedaço de gelo ou um planeta distante no infinito. "Imagine quando a gente começar a fazer isso explorando não simplesmente o fato de fazer a viagem ao redor da Antártica, mas de fazer um estudo estatístico do perfil de comportamento das depressões, ou do solo submarino, ou da coloração da água", instiga Amyr Klink. "Com os recursos que a gente tem hoje, o conhecimento cada vez mais acessível, os desafios da exploração têm que ficar com mais conteúdo", cita ao ser indagado sobre suas expedições.

Enquanto a exploração adquire um novo significado, a natureza se transforma e a humanidade se encarrega de continuar a estudá-la. A procura pelo "elo perdido" ou a busca por novas galáxias une disciplinas e permite que a humanidade assista a descoberta dos guerreiros de Terracota ou, ainda, o resgate de espadas samurais em algum ponto do Pacífico onde um navio aliado naufragou carregado de armas capturadas dos japoneses. A ciência toma força e os homens redescobrem o sentido da exploração: de um lado reconstruindo a história; de outro, unindo conhecimentos para driblar as imposições do tempo e do espaço.

Nesta reportagem:

» Uma breve história das expedições
» O começo da descoberta
» A imaginação instiga o explorador
» Quem não tem medo se adianta
» O planeta em detalhes
» História sem fim





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