Nova Xavantina (MT)

Tema:Expedições
Autor: Marcelo de Paula
Data: 30/7/2006

Na cola da Viação Xavante, chegamos bem cedo em Nova Xavantina (MT). Como de costume, nos apresentamos à Prefeitura Municipal para saber dos locais de hospedagem e alimentação. Foi muito bom saber que o Hotel Morada do Sol (darcicantarelli@gmail.com) era o nosso apoio na cidade, porque eu e a produtora Carla Mendes havíamos nos hospedado no mesmo na viagem de pré-produção, em janeiro. Ele é o hotel mais moderno da cidade com acomodações confortáveis, sauna, piscina e excelente café da manhã. Tudo que a equipe da Expedição Karaja – O Filme precisava no seu primeiro dia de folga desde o Rio de Janeiro.

De volta ao trabalho, a produção em Nova Xavantina incide diretamente com a história do Brasil. No remoto passado ano de 1949, antes do famoso Tratado de Tordesilhas, que definiu o território da América do Sul entre as Coroas de Portugal e Espanha, quase todo o Pantanal pertencia à Espanha. Foram os jesuítas espanhóis que criaram os primeiros núcleos de habitação na extensa planície. Depois Portugal apoiou os Bandeirantes paulistas para expulsarem os espanhóis da região. Mão-de-obra escrava indígena e pedras preciosas geravam grande interesse na área.

A descoberta do ouro acelerou o povoamento do Centro-Oeste. Em 1748, Portugal criou a Capitania de Mato Grosso, construindo um eficiente sistema de defesa para garantir sua nova fronteira e assegurar as reservas extrativistas brasileiras. A produção do ouro começou a cair no início do século XIX e, então, vieram os engenhos de cana-de-açúcar e depois, com a chegada de pecuaristas, plantadores de erva mate e seringueiros, a região retomou seu crescimento.

Um século depois, mais precisamente no ano de 1977, o Estado foi dividido em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. As condições territoriais da planície pantaneira propiciaram o desenvolvimento agrícola e da bovinocultura extensiva em ambos os Estados.

Mas, na década de quarenta, foi a Marcha para o Oeste que realmente possibilitou ao avanço econômico-ocupacional da região. Projeto pioneiro que reconheceu e colonizou o Centro-Oeste brasileiro. Assim, em 1944, foi criada a Fundação Brasil Central, que recrutou expedicionários em todo o território nacional para participarem da Expedição Roncador Xingu.

Em seus devidos tempos, os conflitos entre portugueses e espanhóis, a Guerra do Paraguai e as questões geopolíticas envolvendo a região no auge da II Guerra Mundial, quando países europeus queriam transferir excedentes populacionais para o Brasil, levaram o Governo a implementar a ocupação do território em nome da soberania nacional.





Com objetivo de mapear, desbravar e estabelecer núcleos populacionais, o então Presidente Getúlio Vargas cria à Expedição Roncador Xingu. Redimindo o ferro, o fogo e a escravidão das demais bravatas na região, à Expedição foi única ao aderir à causa indígena. E, justamente, montado nas proximidades do Rio das Mortes, Xavantina (hoje Nova Xavantina) foi o nome do local do acampamento base da Expedição, uma homenagem aos índios Xavantes, habitantes originais do lugar.

Embora a Expedição não estivesse preparada para o contato com os índios, foi sob a liderança dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas que os trabalhadores recrutados para tal empreitada, avançaram de forma pacífica ao adotarem o lema de Marechal Rondon: “Matar nunca, morrer se preciso for!”

Por brasileiros de peso de ouro como os irmãos sertanistas Villas Boas, o antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, o médico sanitarista Noel Nutels e outros, é que, décadas depois surge o Parque Indígena do Xingu, considerado como uma das maiores reservas do gênero no mundo.

Caindo na real dos dias atuais, a equipe da Código Solar Produções escolheu a cidade de Nova Xavantina para gravar cenas de locações referentes às Expedição Roncador Xingu, como a Praça Cívica, onde foi instalado o acampamento base da mesma, a casa do Coronel Vanique, o coordenador da Fundação Brasil Central, o Rio das Mortes e até depoimentos de ex-expedicionários, como o Sr. Adão Gomes de Souza, que além de si teve mais quatro irmãos integrantes da Roncador Xingu.

“Foi um grande projeto para o País a criação da Fundação Brasil Central que, através da Expedição Roncador Xingu, abriu muita frente de trabalho, empregando trabalhadores de todas as regiões do Brasil. Foi emocionante nosso primeiro contato com os índios Xavantes. Eu e a maioria dos expedicionários nunca havia visto um índio antes. Os tratores e caminhões estavam abrindo a estrada de barro, quando os índios surgiram todos pintados e enfeitados do meio do mato. A principio ficamos assustados, mas quando reparamos que a manifestação deles foi totalmente amistosa, foi aquela festa. Imediatamente o Coronel Vanique mandou dar facões e espelhos de presente para os Xavantes, que passaram até nos auxiliar no avanço da Expedição” – lembrou Adão Gomes de Souza.

Além do ex-expedicionário da Expedição Roncador Xingu gravamos também o depoimento do Vereador de Nova Xavantina, Jackson Silva, referente ao possível funcionamento da Hidrovia Araguaia-Tocantins, que pretende atingir uma extensão de 1230 quilômetros, transformando rios da região em caminhos para o transporte de grãos para os portos marítimos dos Estados do Pará e Maranhão.

“Estando o Rio das Mortes catalogado entre os cinco rios mais limpos do mundo e o Município de Nova Xavantina incluso como rota da Hidrovia Araguaia-Tocantins, há uma enorme preocupação das condições ambientais relacionadas ao funcionamento dessa hidrovia. A Câmara Municipal e as lideranças indígenas Xavantes estão atentas as condições de má preservação à natureza que esse tipo de transporte pode ocasionar” - afirmou Jackson Silva. Vale ressaltar que a Câmara Municipal de Nova Xavantina, através do acompanhamento integral do Vereador Jackson Silva às filmagens do documentário Karaja – O Filme, deu total apoio à equipe da Código Solar Produções. Para encerrar os trabalhos em Nova Xavantina, Jackson e família nos recepcionaram em casa para um delicioso peixe assado.

O destino agora é São Félix do Araguaia (MT), nossa última cidade antes de adentrar na Reserva Indígena da Ilha do Bananal, no Estado de Tocantins, e passar uma temporada na Aldeia de Santa Isabel do Morro, dos índios Carajás, os protagonistas do filme.

A andança pelo Estado de Mato Grosso, de Nova Xavantina para São Félix do Araguaia, é tema do nosso próximo boletim para o 360 Graus. Continue acompanhando a produção cinematográfica da Expedição Karaja – O Filme.





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