Karajás - De Coxim (MS) para Nova Xavantina (MT)

Tema:Expedições
Autor: Marcelo de Paula
Data: 13/7/2006

De volta a BR 163, deixamos Coxim para trás acompanhando lentamente a transição do Pantanal para o Cerrado. Nova Xavantina era nosso destino. Mais um longo trecho a ser percorrido pela gloriosa Maria Albina. No percurso entramos no terceiro Estado da Expedição, Mato Grosso. Seguimos na 163 até a cidade de Rondonópolis, onde pegamos um atalho via Poxoréu. Um pequeno vilarejo com placas indicativas de cidade do diamante, situado numa serra que vislumbra um lindo plano do Cerrado brasileiro. Atalho descoberto na viagem de pré-produção, indicado por frentistas de um posto de gasolina próximo à entrada de Rondonópolis e depois confirmado pela Polícia Rodoviária Federal.

A melhor coisa de pegar esse atalho é abandonar a BR 163 o quanto antes. Ao passar pelo atalho, passamos a trafegar na paisagem de uma imensa planície dividida por uma linha reta, que é a estrada em si. Esse trecho nos conduz até a cidade de Barra do Garças, uma das maiores do Estado de Mato Grosso.

Sendo Mato Grosso do Sul e Mato Grosso os dois Estados que, juntos, bancam a produção bovina brasileira, tornando o País o maior exportador de carne no mercado mundial, não poderia deixar de faltar pelo caminho o encontro com uma enorme comitiva. Maria Albina foi literalmente engolida num mar de bois. Cena bonita e totalmente diferente da rotineira agitação dos grandes centros urbanos. É por isso que fica aqui o convite, através da nossa Expedição, filme, fotografias e boletins informativos, para vocês leitores que ainda não tiveram a coragem de ir aventurar-se Brasil afora. Nosso País é lindo!!!

O dia estava tão lindo e vimos tantas belezas naturais que nem deu para sentir o desgaste da longa jornada. No fim de tarde encostamos Maria Albina na pacata cidade de General Carneiro, pois não haveria condições de chegar à Barra do Garças em horário comercial, então jogamos a toalha e procuramos um hotel de beira de estrada, somente para passar a noite e chegar cedo na sede da Viação Xavante, a principal empresa de ônibus da região.

Nosso objetivo de chegar no horário comercial em Barra do Garças era ter uma reunião com o Presidente da Viação Xavante, Sr. Geraldo Quirino, na sede da Empresa em Barra do Garças. A motivação de gravar uma cena com um ônibus da Empresa a caminho de Barra do Garças para Nova Xavantina, tendo a Serra do Roncador de pano de fundo diz respeito, mais uma vez, a minha viagem solitária de 1991, quando desbravei a região nos antigos ônibus da Viação Xavante.

A viagem era uma tremenda aventura. A rodovia era puro barro, sem luz ou qualquer ponto de apoio. Os motoristas da Viação Xavante eram obrigados a conduzir os ônibus na companhia de um auxiliar e de quebra uma garrucha tira-colo, pois o perigo de ter que parar numa quebrada da via era grande. Perigo de ataque de onça ou qualquer outro animal que habitasse o local. Isso sem contar que não havia uma previsão precisa do tempo da viagem, porque as pontes de madeira da rodovia podiam estar quebradas ou impossibilitadas de serem cruzadas devido às fortes chuvas da região.

Em 91 fiz o percurso de Barra do Garças à Nova Xavantina e depois segui para São Félix do Araguaia. Naquela época, os ônibus da Viação Xavantes eram os únicos que circulavam na região. Eram valentes de motor e não ofereciam conforto nenhum aos seus passageiros. Mas mesmo assim, podemos considerar a Empresa, o Sr. Geraldo Quirino e demais motoristas como verdadeiros heróis de terem a coragem do empreendimento no Brasil-Central de outrora. Para se ter uma idéia dos fatos, quando regressei da minha expedição solitária ou de auto-conhecimento, como costumo me referir a mesma, relatava esse episódio da travessia desse trecho do percurso aos amigos, e poucos acreditavam na realidade do nosso País.

Fiz questão de ir resgatar essa memória, que não é só minha, mas diz respeito à história do Brasil. Busquei junto à Viação Xavante um motorista que tivesse vivido àquela época, para relatar as dificuldades de transporte da região. O Sr. Geraldo Quirino fez a gentileza de ceder o atual possante e confortável ônibus da Empresa e colocou o motorista César Pereira da Silva, que está nos quadros da Viação Xavante desde antes da minha expedição solitária de 91, para prestar depoimento para o filme e conduzir o ônibus até Nova Xavantina, nossa próxima parada.

Vale ressaltar que a gentileza do Sr. Geraldo Quirino foi maior ainda: como o ônibus e motorista só estariam preparados no dia seguinte, ele pagou hotel e alimentação para a equipe da Expedição Karaja – O Filme em Barra do Garças, que não era município patrocinador do documentário.

Ora gravando cenas externas do ônibus junto à Maria Albina com a Serra do Roncador de fundo, ora gravando o depoimento do motorista César Pereira da Silva chegamos em Nova Xavantina acompanhando a Viação Xavante até a rodoviária da cidade. (www.viacaoxavante.com.br)





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