Entrevista com Sebastião Abreu, da Expedição Brasil

Tema:Expedições
Autor: Tatiana Gerasimenko
Data: 15/9/2005

Quando se fala em expedição, a primeira idéia que vem na mente é o explorador no estilo Indiana Jones, que para chegar no ponto pretendido passa por mil e uma adversidades superando - literalmente - cobras e lagartos. Mas nem sempre a estrada de um explorador é árdua: ainda mais quando ela é trilhada pelos “céus”. E foi com a idéia de explorar o Brasil pelos céus que o empresário goiano Sebastião de Abreu decidiu realizar a “Expedição Brasil”, uma viagem de helicóptero para desbravar as belezas escondidas no coração do país. Tudo começou em 2003, quando Tião – como é chamado pelos amigos – acompanhou o Rally dos Sertões de helicóptero. No ano seguinte, o empresário reuniu oito helicópteros para uma viagem de cerca de 2.5 mil km sobrevoando cenários surpreendentes na região Centro-Oeste do Brasil, durante oito dias. Este ano, a expedição cresceu: foram 20 helicópteros com 80 participantes, e 10 dias de viagem, passando por Goiânia, Brasília, Pirenópolis, Rio Araguaia, Barra do Garças, Chapada dos Guimarães, Pantanal, Corumbá e Bonito. Em entrevista exclusiva, Tião conta todos os detalhes da expedição aérea e a emoção da viagem pelo Brasil. Confira!

360 Graus - Quando e como surgiu a idéia da Expedição Brasil?
Sebastião Abreu - Surgiu em 2003, após acompanhar o Rally dos Sertões de helicópteros com a equipe de filmagem em 2002 e 2003, e perceber que a maioria dos donos de helicópteros no Brasil nem tinham idéia do potencial de belezas do interior do país, em lugares na maioria das vezes acessíveis apenas de helicópteros.

360 Graus - Qual o objetivo desta expedição?
Sebastião Abreu - Redescobrir o Brasil, com suas belezas naturais e observar qualquer interferência prejudicial à natureza.

360 Graus - Como funciona esta expedição?
Sebastião Abreu - Inicialmente, uma coisa que tem que ficar clara é que o helicóptero na Expedição Brasil serve apenas de meio de transporte para os participantes, possibilitando a chegada em lugares que em outros meios seria impossível ou muito demorado. A partir desse princípio, respeitando as características das máquinas de abastecimento a cada três horas (o que pode percorrer nesse intervalo em torno de 700 km em linha reta), o trajeto é planejado a partir das cidades, cachoeiras, rios, patrimônios históricos e outras belezas. O roteiro segue com paradas bastante planejadas (todo o percurso, hotéis e restaurantes são testados em uma pré-expedição de reconhecimento). Culinária e folclores típicos são apresentados sempre que possível, pois valorizamos além do lado de turismo ecológico, também o lado cultural, tão diversificado no nosso país.

360 Graus - Qual foi o ponto mais emocionante do percurso e por quê?
Sebastião Abreu - Todos são emocionantes em sentidos diferentes, mas podemos citar a chegada de 20 helicópteros e sobrevôo da Esplanada dos Ministérios com recepção da banda da Aeronáutica executando o hino nacional para os expedicionários, as areias brancas do Rio Araguaia no acampamento rabo de Arraia, além do inesquecível pôr-do-sol, a chegada no Pantanal com a biodiversidade tão rica e o sossego do local, a flutuação em Bonito onde a natureza é deslumbrante, etc.

360 Graus - Como funcionou a comunicação entre os participantes?
Sebastião Abreu - Em vôo todos os helicópteros têm rádio e utilizávamos a freqüência pré combinada para falarmos entre nós mesmos. Em terra a natureza tratou de aproximar todos como um reencontro de velhos amigos.

360 Graus - O que evoluiu em relação à edição passada?
Sebastião Abreu - A quantidade de helicópteros: de oito passaram a ser 20. Também a quantidade de participantes: de 30 passaram a ser 80. A equipe técnica de mecânicos e auxiliares, que de seis passaram a ser 18, as duas camionetes de apoio, que nesse ano viraram cinco, além de um avião. Dois fotógrafos profissionais, duas equipes de filmagem e helicóptero Newscopter. Os troféus também ficaram ainda mais sofisticados, apesar de terem sido feitos pelo artista plástico Siron Franco. O anterior era uma caixa de acrílico com uma escultura dos índios karajas que visitamos; o desse ano foram folhas, sementes, raízes, cravos e outros da região que percorremos.

360 Graus - Durante o percurso era possível "atrasar" um pouco o planejamento da expedição e parar em locais inusitados para que os participantes pudessem vislumbrar, em terra, o que se via no céu?
Sebastião Abreu - Com certeza, sempre que eles nos convidavam, pois o nosso compromisso não é com o horário, e sim com as belezas naturais que vislumbramos.

360 Graus - Quanto tempo foi despendido para planejar esta segunda edição?
Sebastião Abreu - De dezembro a junho. Sete meses.

360 Graus - Alguma surpresa no meio do caminho (ou dos vôos)?
Sebastião Abreu - Só a extrema proximidade, carinho a amizade adquirida por todos os participantes, e a habilidade de vôo de todos os pilotos - alguns inclusive proprietários das aeronaves, empresários em expediente normal e pilotos por lazer. Mas isso não foi tanta surpresa, pois já havia sido observado desde a primeira edição.

360 Graus - A participação no Rally dos Sertões contribuiu para o planejamento desta expedição?
Sebastião Abreu - Nesta edição em si nem tanto, mas na anterior e primeira, que teve roteiro paralelo ao rally até Palmas... Depois seguiu seu próprio caminho. A participação no rally permitiu a ousadia de bolar algo tão arrojado porém menos cansativo. E sem tanta adrenalina de terra, mas que foi igualmente substituída pela adrenalina do vôo de helicóptero, que por si só já é uma emoção.

360 Graus - Quais são os próximos planos? A continuação da Expedição Brasil ou um projeto totalmente diferente?
Sebastião Abreu - Com certeza a continuação da Expedição Brasil, que após essas duas edições já teve o Centro Oeste bem explorado e pretende partir para outras regiões do Brasil igual ou diferentemente belas.





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