Diamantina: Chapado na Chapada

Autor: Tito Rosemberg
Website: www.titorosemberg.com.br
Data: 13/2/2004

Trilhas perdidas nas montanhas, cachoeiras e uma paisagem das mais lindas do mundo faz a Chapada da Diamantina um colírio para olhos urbanos. Se a energia mágica de um lugar pudesse ser medida, a Chapada Diamantina, no interior da Bahia, seria facilmente um dez.

Poucos lugares no Brasil tem a força cósmica que se encontra entre as montanhas, rios, cachoeiras e profundos vales deste paraíso geológico, e a crescente chegada de viajantes sedentos de paz e mistérios da natureza comprova isto.

Os muitos aventureiros, esotéricos, espeleologistas e seguidores do antigo movimento hippie que escolheram a Chapada como local de moradia acabaram por criar um clima alternativo que lembra um pouco a Arembepe e Canoa Quebrada de outrora.

Mas, ao contrário destas outras mecas da vanguarda intelectual e artística brasileira, a Chapada, a despeito da invasão turística, só não foi descaracterizada devido a sua enorme extensão, um verdadeiro "playground" para adultos que ainda não se entregaram à caretice total.

No início os viajantes concentravam-se em Lençóis, a maior cidade e com excelente serviços de apoio para quem deseja conhecer a fundo os canyons e as trilhas que levam às suas cascatas secretas, mas com o passar dos tempos outras aldeias, como por exemplo a bela e preservada Mucugê, passaram a hospedar os visitantes.

Seu nome vem da grande quantidade de diamantes e outras pedras preciosas que se encontravam no local, e que trouxeram seus primeiros habitantes, os garimpeiros. Mas de lá para cá o que mais chegou foram as legiões de esportistas que deslumbram-se com as corredeiras e paredões rochosos ideais para a prática de diversas atividades.

Quem vai de carro também tem a oportunidade de poder distanciar-se um pouco dos chapadões e conhecer o sertão baiano, com toda sua pobreza e belas paisagens, há poucos quilômetros de distância. Aliás, diga-se de passagem, infelizmente, quem não for com seu próprio veículo, de preferencia um jipe, não vai poder conhecer todo o esplendor da região, pois tudo é distante e há poucos ônibus percorrendo a as estradas, muitas vezes de terra batida.

A antiga cidade de Lençóis logo percebeu que poderia viver quase que exclusivamente do turismo e adaptou-se aos novos tempos. Hoje encontram-se todos os tipos de pousadas caseiras e hotéis com razoável luxo para abrigar até os estrangeiros que chegam em grandes grupos. Mas não há aldeia, por menor que seja, que não tenha pelo menos uma pousada familiar para o viajante descansar os ossos depois das longas caminhadas que oferecem panoramas a perder de vista.

Uma das mais interessantes caminhadas é a que leva ao topo do Morro do Pai Inácio, acessível até para caminhantes sem grande preparo físico, apesar dos rumores de que teria sido comprado por membros de uma seita e agora fechado aos montanhistas.

Uma característica interessante da Chapada Diamantina é a cor de suas águas, escuras como as do Rio Negro na Amazônia, mas tão transparentes quanto. Mesmo assim, a maioria dos riachos e lagoas não está poluída e o banho não só é permitido como também recomendável.

Diversas lagoas e poços oferecem boa estrutura para comer e beber sem necessidade de grandes deslocamentos, o que se por um lado é agradável, por outro acaba sujando os locais graças ao descaso dos comerciantes locais.

Mas o encanto da Chapada Diamantina se descobre caminhando por horas ao longo de trilhas perdidas na floresta fechada que levam às cachoeiras monumentais, e em todas as cidades há guias experientes que podem acompanhar o viajante desejoso de sair fora do caminho fácil. Aliás, talvez seja a distância do "caminho fácil" que ajudou a Chapada a permanecer em estado tão preservado, pois está suficientemente longe dos grandes centros do sudeste e também de Salvador para não tornar-se um "programa de fim de semana".

A construção de um aeroporto perto de Lençóis poderá modificar tudo isso, e portanto torna-se obrigatório conhecer a Chapada da Diamantina o quanto antes possível.

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