Cem dias em busca do paraíso

Autor: Tito Rosemberg
Website: www.titorosemberg.com.br
Data: 25/6/2004
Ecoturismo - Pelas estradas da África do Sul (foto), Singapura, Bali, Malásia, Tailândia, Laos, Vietnã, Cambódia e Índia<br>Foto: Tito Rosemberg

Pelas estradas da África do Sul (foto), Singapura, Bali, Malásia, Tailândia, Laos, Vietnã, Cambódia e Índia
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Trânsito interrompido nas trilhas do Parque Nacional de Kruger, na África do Sul<br>Foto: Tito Rosemberg

Trânsito interrompido nas trilhas do Parque Nacional de Kruger, na África do Sul
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - A deliciosa culinária de Singapura incorpora ingredientes das diversas culturas que habitam o pequeno país<br>Foto: Tito Rosemberg

A deliciosa culinária de Singapura incorpora ingredientes das diversas culturas que habitam o pequeno país
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Um artista das montanhas de Bali e seu veículo-escultura. Tem gosto para tudo neste mundo<br>Foto: Tito Rosemberg

Um artista das montanhas de Bali e seu veículo-escultura. Tem gosto para tudo neste mundo
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Mulheres balinesas levam suas oferendas para os templos budistas que se encontram espalhados por toda a ilha<br>Foto: Tito Rosemberg

Mulheres balinesas levam suas oferendas para os templos budistas que se encontram espalhados por toda a ilha
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Equilíbrio e graça na bicicleta em uma estrada da Malásia<br>Foto: Tito Rosemberg

Equilíbrio e graça na bicicleta em uma estrada da Malásia
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - A incrível aldeia de pescadores muçulmanos de Panyee, sobre palafitas numa ilha dentro do Parque Nacional de Khao Sok, no sul da Tailândia<br>Foto: Tito Rosemberg

A incrível aldeia de pescadores muçulmanos de Panyee, sobre palafitas numa ilha dentro do Parque Nacional de Khao Sok, no sul da Tailândia
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Os prédios sagrados do Laos caracterizam-se por um estilo cheio de detalhes e muita delicadeza. Na foto um templo na capital, Vientiane<br>Foto: Tito Rosemberg

Os prédios sagrados do Laos caracterizam-se por um estilo cheio de detalhes e muita delicadeza. Na foto um templo na capital, Vientiane
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Em Sapa, Vietnã, nas montanhas que chegam a mais de 3 mil metros vivem os Hmong, etnia que há muitos séculos mantém suas tradições<br>Foto: Tito Rosemberg

Em Sapa, Vietnã, nas montanhas que chegam a mais de 3 mil metros vivem os Hmong, etnia que há muitos séculos mantém suas tradições
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - Em Hoi An as velhas canoeiras vietnamitas do Rio Thu Bon resistem ao tempo e trabalham até o fim de suas vidas como quando a aldeia foi criada no século 17<br>Foto: Tito Rosemberg

Em Hoi An as velhas canoeiras vietnamitas do Rio Thu Bon resistem ao tempo e trabalham até o fim de suas vidas como quando a aldeia foi criada no século 17
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Ecoturismo - As incríveis esculturas dos templos de Angkor Wat, no Cambódia<br>Foto: Tito Rosemberg

As incríveis esculturas dos templos de Angkor Wat, no Cambódia
Foto: Tito Rosemberg



Ecoturismo - O Forte de Jailsamer, na cidade do mesmo nome é uma das construções mais impressionantes da região do Rajastão, na Índia<br>Foto: Tito Rosemberg

O Forte de Jailsamer, na cidade do mesmo nome é uma das construções mais impressionantes da região do Rajastão, na Índia
Foto: Tito Rosemberg



Organizar o roteiro de uma longa viagem envolvendo diversos países é um exercício de pesquisa, paciência e tolerância.

Se estes países forem pobres e/ou subdesenvolvidos aumenta ainda mais o risco de imprevistos devido à precariedade da infra-estrutura de estradas, empresas de ônibus e ferrovias estatais porque é virtualmente impossível garantir horários e até mesmo rotas. Mas o viajante determinado deve, a despeito das dúvidas, partir assim mesmo e ir resolvendo os problemas à medida que eles vão aparecendo.

De dezembro de 2003 a março de 2004, este repórter percorreu milhares de quilômetros em busca dos segredos de países até então desconhecidos para ele.

O resultado desta aventura será a partir de agora relatado em ordem cronológica abordando os diversos aspectos encontrados, sejam as curiosidades encontradas, as dificuldades e as surpresas.

A viagem começou num vôo de 5 horas (3.000 km) de Fortaleza a São Paulo que inexplicavelmente custa quase tanto quanto o vôo de Fortaleza a Lisboa. Em São Paulo começa o trecho de 7.500km sobre o Oceano Atlântico, meras 8:30 horas até Joanesburgo, na África do Sul, que transcorre sem eventos significativos.

Em terra, um Ford Fiesta alugado serviu para percorrer 5.500km em duas semanas pelo território sul-africano, incluindo a divina Cidade do Cabo, a capital do surf local Jeffreys Bay, a deliciosa Hermanus, um dos melhores lugares do planeta para se observar baleias (e tubarões perigosos) e o Parque Nacional de Kruger, considerado o melhor e mais bem administrado de todo o continente africano.

O vôo de Joanesburgo até Hong Kong pela South African Airways começa com a punição inesperada de 3 horas dentro do avião em terra esperando, segundo o comandante da aeronave “que a temperatura baixasse para que houvesse condições para a decolagem”, porque o “avião estava carregado demais”, acreditem se quiserem.

Uma vez no ar, a viagem de 13 horas previstas já passara para 16 horas com o inesperado suplício da espera em terra! Seriam 11 mil km. atravessando metade do planeta, um vôo que nada teria de anormal a não ser os ocasionais comentários do comandante de que “aquela aeronave não era adequada para vôos tão longos sem escalas”, mas que “se tudo desse certo não haveriam problemas”. Vai entender!

Em Hong Kong uma rápida conexão e outro vôo de 3:30 horas (2.565km) nos deixa na modernosa, organizada e gélida Singapura, o lugar que mais se aproxima da visão assustadora do escritor inglês Aldous Huxley no clássico “Admirável Mundo Novo”. Um aeroporto belíssimo, cortesia e eficiência das melhores do mundo, pessoas educadíssimas nas ruas e lojas e logo percebe-se que Singapura é uma bela opção para compras de equipamentos fotográficos, apesar dos preços similares aos de Nova Iorque. Missão consumista cumprida, descobre-se que por apenas 196 dólares pode-se comprar na Australian Airlines passagem ida e volta para Bali, com direito a duas semanas na ilha dos sonhos. A decisão não leva mais do que alguns minutos.

Outro vôo de apenas 2:30 horas percorre os 1.770 km que separam Singapura do aeroporto de Bali, pequena ilha da Indonésia. Já são cinco vôos num total de 32:30 horas no ar e 25.835 km percorridos. A viagem promete! Após duas semanas e 770 km. percorridos a bordo de um velho e bravo Suzuki Samurai alugado, pouca coisa havia ficado para ser descoberta na pequena ilha, e chega a hora da volta para Singapura e o início da travessia terrestre da região do Sudeste Asiático.

Um trem muito confortável vai de Singapura a Kuala Lumpur em 8 horas através das planícies da Malásia, o quarto país percorrido desde a partida do Brasil, mais de um mês atrás. Da linda e movimentada capital da Malásia sigo de trem (11 horas) para Penang antiga cidade de colonização européia que foi durante muitos anos uma das Mecas dos viajantes profissionais. Conhecer lugares que foram importantes pontos dos nômades planetários sempre foi um dos meus interesses, e a cada nova descoberta sinto-me mais capaz de entender o que se passou na vida de tantos exploradores do passado.

De Penang sigo via terrestre para Hat Yai, na Tailândia, onde troco a van por outra até Krabi (12 horas), porta de entrada da bela baía onde estão as ilhas de Ko Phi Phi e Ko Lanta e a cidade de Phuket, tradicionais refúgios dos alternativos do mundo todo. Depois de passar mais de 15 horas em diferentes barcos, transitando entre uma ilha e outra do sul da Tailândia, um ônibus vai de Phuket a Phang-Nga, base de explorações do interessantíssimo Parque Nacional de Khao Sok, com dezenas de ilhas desabitadas e curiosas aldeias flutuantes. Mais 3 horas num confortável ônibus e chega-se a Surat Thani, de onde parte o trem (mais 13 horas) para Bangkok, a eletrizante megametrópole capital da Tailândia, ponto de encontro da juventude viajante do planeta.

Uns dias viajando pelos canais da cidade, visitando espetaculares templos budistas e perambulando pelos bairros cheios de vida e chega a hora de partir para Vientiane, capital do Laos, apenas 13 horas dentro de outro ônibus. No amistoso Laos a viagem torna-se relaxante depois dos dias cheios de cuidados para não ser enganado pelos espertos (talvez até demais) tailandeses. O pequeno e montanhoso país que foi massacrado pelo bombardeio dos americanos durante a guerra do Vietnã é hoje uma ilha de paz habitado por um povo cortês e afetuoso que faz da viagem um prazer.

Um curto vôo leva a Luang Prabang, deliciosa aldeia nas montanhas onde semanalmente se encontram tribos de diversas etnias para trocas e compras. O ônibus de Vientiane para Hanói (1.300 km), a capital do Vietnã deveria levar “apenas” 20 horas, mas um desabamento na estrada, uma fronteira fechada, a duríssima imigração vietnamita e 4 diferentes quebras do veículo pré-diluviano fazem a viagem-tortura durar 40 horas. Mas chega-se ao destino, o que nestas condições já se pode considerar um sucesso!

A efervescente Hanói ainda comunista seduz até o viajante cansado, mas depois de alguns dias no burburinho urbano o trem para Sapa (13 horas), pequena aldeia nas montanhas fronteiriças com a China, traz alívio. Lá, dezenas de etnias normalmente isoladas nos vales sem fim se encontram para o mercado semanal todos os sábados.

Voltando a Hanói, e a caminho da ex-Saigon, hoje Ho Chi Min City, pego o ônibus (20 horas) até Hoi An, outra bucólica aldeia à beira rio onde viajantes costumam descansar das longas, esburacadas e perigosas estradas vietnamitas. Dias depois, outras 20 horas de ônibus me deixam em Saigon, de onde já cansado de ficar sentado, pego um avião (mais 1:30 horas) para Siem Reap, cidadezinha no interior do Cambódia onde estão as inacreditáveis ruínas de Angkor Wat, patrimônio histórico da humanidade.

Para sair de Siem Reap ou sofre-se 12 horas num ônibus por uma esburacada estrada de terra até a fronteira da Tailândia ou pega-se o barco que diz levar 9 horas até Battambang. Na verdade a viagem de barco dura emocionantes 14 horas atravessando um lago com ondas perigosas e depois subindo um rio com pouquíssima água onde encalhamos mais de 6 vezes. Coisas previsíveis numa viagem como essa. Em Battambang um táxi coletivo (3 horas) nos deixa na fronteira com a Tailândia, onde um ônibus (mais 6 horas) nos deixa de volta a Bangkok.

Esperando o visto da Índia (5 dias úteis) resolvo conhecer as montanhas do norte da Tailândia, mais especialmente a região no entorno de Chiang Mai, apenas mais 14 horas de trem, só de ida... mas que valem muito a pena. De volta a Bangkok (mais 14 horas de trem) pego o avião para Nova Deli (4:30 horas), onde chego para descobrir minha terceira experiência cultural, depois da África do Sul e do Sudeste Asiático.

Com duas semanas na agenda, decido conhecer apenas a região do Rajastão e entorno, que inclui lugares famosos como Agra, Pushkar, Udaipur e Jailsamer, antes de pegar o avião de volta de Bombaim para Fortaleza, via Joanesburgo, São Paulo e Rio, apenas mais 32 horas no ar... Tudo isso relatarei a partir de hoje para o deleite de quem ainda não se cansou com o que leu acima.

Nas próximas reportagens os detalhes desta viagem de 153 horas em carros, 127 horas em ônibus, 114 horas em trens, 75 horas em aviões, 28 horas em barcos, 16 horas em motocicletas e intermináveis caminhadas que renderam mais de 25 mil fotos.
Até breve!

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