Como a extinção de uma espécie animal pode afetar nossa vida

Autor: Chris Bueno

Data: 7/4/2009

Uma borboleta bate as asas em São Paulo e um tufão atinge Pequim. A conhecida frase é uma popularização do “efeito borboleta”, termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos, e significa que um evento, por menor que seja, pode alterar significativamente o curso natural das coisas.

O “efeito borboleta” é uma excelente maneira de explicar os riscos do desmatamento e da extinção de espécies animais e vegetais.

Apesar do meio ambiente estar no centro do debates hoje em dia, recheando noticiários e cobrindo as capas do jornal, ainda poucas pessoas se preocupam realmente com a ecologia.

É como se a ecologia fosse algo bucólico, romântico e distante, e não algo real e urgente. Por isso é comum ouvir por aí frases como “por que eu preciso me preocupar com os ursos polares lá no Ártico?”, ou “o que eu tenho a ver com as baleias jubarte?”.

O fato é que todos nós temos muito a ver com essas espécies e com as muitas outras ameaçadas de extinção.

O desaparecimento de espécies animais tem conseqüências diretas na vida no homem. A questão vai muito mais além do que o simples drama “as gerações futuras nunca vão ver um mico-leão-dourado” – o que, por si só, já é bem triste.

Quando uma espécie desaparece, toda a cadeia alimentar fica alterada. Por exemplo, se a população de gaviões diminui ou desaparece, aumenta a população de cobras, uma vez que esses são seus maiores predadores.

Muitas cobras precisariam de mais alimentos e, conseqüentemente, o número de sapos diminuiria e aumentaria a população de gafanhotos. Esses gafanhotos precisariam de muito alimento e com isso poderiam atacar outras plantações, causando perdas para o homem.

É importante lembrar que o desaparecimento de determinadas espécies de animais interrompe os ciclos vitais de muitas plantas.

Ou seja, a extinção de uma espécie animal causa uma reação em cadeia na natureza, afetando o ser humano com a diminuição de certas fontes de alimento ou com a proliferação de pragas e doenças.

É a asa da borboleta causando um tufão na humanidade.

A derrubada de florestas também tem impacto direto na vida dos seres humanos. A diminuição significativa da cobertura vegetal acelera o processo de erosão da terra – assim, quando há uma chuva forte, por exemplo, as possibilidades de acontecer enchentes e inundações são muito maiores.

Daí as manchetes catastróficas nos jornais, anunciando números assombrosos de vítimas em enchentes, alagamentos, desabamentos e etc. Além disso, sem a proteção da vegetação, o solo sofre mais com a ação do sol, ressecando-se e podendo provocar o processo de desertificação (formação de desertos e regiões áridas em áreas antes verdes).

No Brasil, este processo vem ocorrendo no sertão nordestino e no cerrado de Tocantins nas últimas décadas. Diminui-se assim a área de plantio e a vegetação que servia de abrigo e alimento a diversos animais.

Aumenta-se a fome das pessoas que vivem nessas regiões.

E não é só: derrubando as florestas, destrói-se o habitat natural de muitas espécies animais e vegetais, contribuindo para sua extinção.

A extinção de espécies vegetais, que podem servir de alimento e também de base para medicamentos, tanto para seres humanos como animais, pode desequilibrar toda a cadeia ecológica.

Além disso, sem seu habitat natural, muitas pragas podem migrar para os centros urbanos – como, por exemplo, o inseto conhecido como barbeiro, que pode transmitir a doença de Chagas.

Por fim, o desmatamento tem sido apontado com um dos grandes contribuidores para o aquecimento global, pois as árvores são capazes de neutralizar as emissões de carbono, um dos grandes vilões do aquecimento global.

Parar o processo de extinção de espécies animais e vegetais, e do desflorestamento, não é fácil nem rápido. Mas também não é impossível.

A primeira ação a ser tomada pelos governos e comunidades é uma vigilância mais acirrada acerca do tráfico de animais silvestres, da derrubada de árvores e das queimadas. Um maior policiamento, com punições mais severas, já ajudaria a diminuir a taxa preocupante de diminuição de espécies de plantas e animais.

Da mesma forma, um maior controle na mineração e na poluição das indústrias (tanto do ar, como da água e do solo) garantiria maior saúde ao meio ambiente – e, conseqüentemente, a toda sociedade.

Além disso, o planejamento para a expansão das cidades e das áreas agrícolas, para que não agridam o meio ambiente, e da exploração dos recursos naturais, como a madeira, são indispensáveis.

Sairia bem mais barato (e seria muito mais fácil) realizar todo esse planejamento e controle antes do que tentar remediar depois.

Mas não é só controle e vigilância as soluções para esse problema. É preciso também conscientizar e educar a sociedade, os governos, as empresas.

O chavão é antigo e batido, mas ainda está valendo. É preciso ver que a ecologia não é apenas um sonho romântico, mas sim uma necessidade real, e que todos nós temos muito a ver com todo o meio ambiente.

Não são apenas os pandas que precisam da gente, nós também precisamos deles para garantir o equilíbrio ecológico e, assim, a nossa sobrevivência.

Sem essa conscientização, que leva à ação - que pode ser desde reciclar lixo e economizar água e energia como cobrar do governo medidas mais eficazes de proteção ao meio ambiente – a próxima espécie em extinção pode ser a nossa.

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