A história

Tema:Ecologia
Autor: Redação 360 Graus
Data: 21/7/2006

O naturalista alemão Georg Marcgrave, membro da comitiva do Conde Maurício de Nassau, que esteve no Nordeste Brasileiro entre 1637 e 1644, foi o primeiro a descrever o macaco na obra “Historiae Rerum Naturalium Brasiliae”, publicada em 1648. Marcgrave o descreveu como um animal “de pêlo mais longo, amarelo-claro”, a quem chamou de “caitaia”. Uma pintura atribuída a Albert Eckhout, artista plástico que também esteve no Brasil com Nassau, retrata com fidelidade o mesmo macaco-prego.

A descrição de Marcgrave, entretanto, não pôde ser considerada cientificamente válida, porque é anterior ao Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, instituído por Carl Linnaeus em 1758. O Código define as regras para nomeação de espécies, tornando válidos apenas os nomes publicados após esta data.

Em 1774, Johann Schreber, pintou o exemplar da espécie que veio a chamar Simia flavia. Schreber, porém, não guardou em coleção científica o animal pintado nem informou a sua procedência exata, sabendo-se apenas que se tratava de um animal vindo do Brasil. Mesmo assim, vários naturalistas do século XIX, como John B. Fischer (1829), Lorenz Oken (1833) e Karl F. Von Martius (1867), viram claras semelhanças entre o animal pintado por Schreber, já rebatizado de Cebus flavus pelo francês Ethienne Geoffroy (1812), e o macaco descrito por Marcgrave em 1648. Mas a falta de um exemplar em coleção levou a maioria dos cientistas a duvidar da existência de Simia flavia. Marcelino e Langguth, porém, demonstraram que a pintura de Schreber retrata características morfológicas de um animal idêntico aos macacos-prego encontrados na Mata Atlântica do Nordeste.

Segundo o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, as espécies nomeadas após 1758 e descritas com base em pinturas e ilustrações feitas até 1931, são consideradas válidas para ciência. Assim, Simia flavia, ou melhor, Cebus flavius, é o nome correto para a espécie de macaco-prego encontrada na zona da mata do Nordeste. Trata-se, portanto, da redescoberta de uma espécie, que foi considerada um mistério para ciência durante 350 anos.

Nesta reportagem:

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