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Livro - Anjos em alerta
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Um jato comercial corta célere o espaço aéreo, deixando atrás de si a imagem branca da condensação do ar, como uma esteira de saudade
AUTOR: Alonir P. Gonçalves TEMAS: Aventura, aviação PÁGINAS: 128 EDITORA: Asa
Descrição:
Um jato comercial corta célere o espaço aéreo, deixando atrás de si a imagem branca da condensação do ar, como uma esteira de saudade.
No chão, o homem comum imagina que aquele avião dispõe de toda a amplitidão e que o seu vôo é tão livre quanto o do falcão. Esse pensamento seria correto em regiões onde o avião comercial é apenas uma raridade semanal, um breve traço de união com os grandes centros comerciais. Cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro já não apresentam essa mansidão bucólica.
Conclui-se que quanto maior o conjunto de aviões em vôo, em um mesmo instante, menores serão os espaços disponíveis para cada um, fazendo surgir a possibilidade da colisão em vôo. Ressalta-se então, a figura do especialista que, desde o solo, coordena esse fantástico bailado espacial. São muitos os aviões, como bandos de pássaros de prata, ordenados, ligeiros, potentes, a sulcar os ares devorando espaços, engolindo o tempo e aproximando destinos. A regê-los, qual maestro em noite de gala, o Controlador de Tráfego Aéreo. Não, não os policia, apenas proteje-os.
A sala de controle onde trabalham esses homens talvez pudesse ser comparada a um grande centro cirúrgico, por seu clima austero. Não há médicos ou anestesia. Não há cheiro de clorofórmio. O bisturi deu lugar a um microfone e a tela do radar é o campo operatório, onde a assepsia é nada mais que moral, pois está presente nos propósitos que os orientam. Assemelha-os a devoção profissional e a concentração calculista. O amor ao próximo dá a tônica.
Certa vez a Organização Internacional do Trabalho (O.I.T.), traduzindo em palavras a atividade desses profissionais, disse: “Não há profissão no mundo na qual o sentido do dever e a responsabilidade estejam mais altamente desenvolvidos como no Controle de Tráfego Aéreo. Todos conhecemos e respeitamos o trabalho do cirurgião, mas muito poucos conhecem a missão e a própria existência desses profissionais do Ministério da Aeronáutica.
O presente trabalho do amigo e ex-aluno Alonir experimenta, com muita propriedade, mostrar um pouco desse mundo maravilhoso que o Controlador compartilha com os pilotos e que, em nosso país, alcança índices de grande eficiência. A leitura é amena e emocionante, como a própria vida. A terminologia técnica, tão necessária aqui como na sala de cirurgia usada como exemplo comparativo, é aplicada com leveza e graça, sem pretender enveredar pelo pedantismo didático. A narrativa que se traduz nestes capítulos, conduz ao clima de contínua tensão controlada, própria desse ambiente de trabalho.
É, portanto, com justificada honra que apresento o trabalho desse novo autor e convido a todos à leitura.
Em sua próxima viagem aérea, você certamente há de sentir-se mais confortável, pois saberá que o avião em que voa está sendo protegido por essas “mãos invisíveis”.
Carlos Heredia
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