Navegando ao sabor dos ventos... e sem GPS


Data: 5/7/2001

Estou de malas prontas para mais uma aventura inédita na minha vida: fazer parte da primeira equipe sul americana a participar da Ladies World Cup, uma competição mundial feminina de balonismo, que acontecerá de 2 a 5 de agosto na França.

Estou indo como navegadora da piloto paulista Liliam Benzi, primeira piloto brevetada no Brasil, em 1994. Estive na Ladies Cup do ano passado, em setembro, na Polônia, mas fui como parte de uma equipe espanhola (e chegamos em 2º lugar, lembram?). Desta vez, estarei realmente representando o Brasil.

Um detalhe interessante é que não será permitido o uso do GPS (Global Position System) na navegação, e ficaremos "limitadas" a orientação por mapa e bússola. O que significa que meu trabalho ficará mais duro. Por um lado, é genial, já que o balão é uma aeronave super primitiva voando ao sabor dos ventos, e feita dos mesmos (ou quase mesmos) materiais desde o seus primórdios.

Claro que algumas coisas foram melhoradas, mas o cesto ainda é confeccionado do bom e velho vime, que resiste ao impacto, sendo maleável e resistente ao mesmo tempo. O envelope (parte colorida do balão) é de nylon ripstop, ou seja, ele pode furar mas não rasga de ponta a ponta se não for forçado a isso e não pega fogo, apesar de queimar (faz um furo no local atingido pelo fogo). A boca do balão é feita de nomex, um tecido que não pega fogo. Bem, nem preciso ir muito longe, já que o balonismo é o esporte aéreo mais seguro que tem.

Assim sendo, não usar GPS é uma volta às antigas formas de se voar. Sensibilidade é a palavra chave. Minha, da piloto, da equipe de resgate. Aliás, o balonismo é um trabalho de equipe por excelência e um bom navegador em terra faz toda a diferença! Para tanto, estamos começando a treinar.

Quanto mais se voa, melhor o controle que se tem daquela fantástica engenhoca voadora. Para mim, voar é fundamental pois o mapa que vejo lá de cima é muito diferente do que vejo aqui embaixo. Preciso me acostumar a ver o mundo de cima de novo. Preciso entender os movimentos suaves do balão, as curvas que posso fazer com os ventos, o que posso pedir para a piloto, de onde devo decolar, afinar os sentidos.

Navegar em terra é muito diferente, apesar do princípio e da técnica ser a mesma... Lourdes Alemany, a piloto com quem fui à Polônia, costuma voar todos os finais de semana e, se passa 15 dias sem tocar no balão, diz que já sente a "mão" mudar. Assim, sempre voa pensando em uma prova competitiva, marcando pontos que podem servir de alvos, tentando manobras com seu "mais leve que o ar".

Estou buscando fazer o mesmo com a Liliam por aqui, para que possamos afiar a equipe e entender cada vez melhor os mecanismos do balão. E, como adoro um desafio, não vejo a hora de embarcar e voar - sem GPS e ao sabor dos ventos. Mas com um pouquinho de controle da situação...


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