A Expedição Turpial na Amazônia

Autor: Sacha Haim
Data: 7/2/2001

Nossa expedição começou com a partida de Manaus, no dia 18 de Janeiro, para subir o Rio Negro. Assim como o próprio vôo de balão, a expedição vai um pouco ao sabor dos ventos, adaptando-se as condições climáticas, físicas (bancos de areia, praias...) e do barco (varias quebras). Até aquele momento, fizemos quase metade dos vôos previstos. Foram no total nove vôos, três com cada balão.

Os primeiros seis foram feitos na região da praia do jacaré, logo acima do arquipélago das Anavilhanas. Três balões decolaram ao mesmo tempo da praia (um banco de areia, existente apenas na seca, no meio do Rio Negro). Voaram por aproximadamente 45 minutos. Um dos balões subiu a quase mil metros para liberar um pára-quedista (que salto!!!), com isso pousou dentro da mata, num pequeno "roçado" de mandioca. Os outros dois pousaram tranqüilamente em praias, que nesta época do ano, com o Rio Negro baixo, são abundantes.

Na manhã seguinte outro vôo, desta vez fui o único balão a decolar. O tempo não estava exatamente perfeito, havia um pouco de vento... mas a vontade de voar pela primeira vez na Amazônia era tão grande que decidi desafia-la. Um vôo de 8 km em 50 minutos. A vista é deslumbrante, um equilíbrio perfeito entre verde, água, céu e nuvens. Com a ajuda das lanchas pousei na única praia em muitos quilômetros.

À tarde decolaram os outros dois balões, um vôo parecido ao do dia anterior, porém sem praias. Um dos balões teve de pousar dentro da água onde haviam algumas árvores mortas que fizeram alguns rasgos em seu tecido.

Outro objetivo

Partimos para nosso segundo destino: o rio Branco, um importante afluente do rio Negro, que nos permitiria fazer um salto maior. Vale lembrar que consideramos os rios como nossas estradas, contamos com um barco regional grande (15,5 m) e duas lanchas (canoas) com motor de popa.

Esse é nosso único meio de resgate, portanto se não chegarmos a um rio teremos de carregar todo o equipamento até ele.

O vôo que pretendíamos fazer era de no mínimo 15 km, considerando a melhor direção do vento e pousando no Rio Negro assim que chegássemos a ele. Com a ajuda de um morador local conseguimos levar o Cap. Gabriel (nosso barco) até uma praia numa ilha no meio do Rio Branco.

Lá estivemos três dias esperando as condições mínimas para poder decolar. Conhecemos um pouco do cotidiano local: plantações de mandioca, moenda de farinha, castanheiras, jacarés, cobras, pirarucus, enguias e muitas lendas...

Floresta Amazônica

Na terceira manhã, mais uma vez acordamos às 5h30, finalmente sem o barulhinho de chuva castigando a lona do barco. Todos muito animados montamos os três balões, decolando às 6h50. Um dos vôos mais bonitos que já fiz.

Ficar duas horas sobrevoando 25 quilômetros sobre mata, mata, mata, água e finalmente (mais uma vez com a ajuda das lanchas) uma praia, faz com que essas horas superem anos e anos de preparativos... Não imaginava que a linha do horizonte do mar pudesse ser "substituída" de cor e de matéria. Me surpreendi com nossa mata, 360º de puro verde, que com a distância se transformava numa linha contínua e infinita.

Desfrutar da vista privilegiada dos pássaros: sentir a temperatura, umidade, cheiros, barulhos, diferenças de verde que não acabam nunca, cores de água, o encontro do Rio Branco e do Negro que passam quilômetros lado a lado sem se misturarem. Arrepiar com o simples fato de olhar em volta e poder sentir em todos os sentidos o nosso paraíso natural...

O capitão Gabriel chegou ao local de pouso dos balões e guardamos todo o equipamento para partir em direção à Barcelos. Queríamos presenciar e participar da grande festa do peixe (comparada, guardada as devidas proporções, à festa do boi de Parintins).

Foram quatro horas do mais puro carnaval, sem compromissos comerciais, arrancando apenas a energia do povo local, que dedica corpo e alma para uma festa própria. O colorido do nosso balão do lado de fora do Piabódromo, misturava-se com o colorido das fantasias, bandeiras e carros alegóricos que desfilavam entre duas torcidas organizadas que não paravam por um minuto.

Problemas no motor do barco e atraso em nossa previsão de partida. Com a ajuda da prefeitura, conseguimos peças e mão de obra quase impossíveis de achar nessa região, a mais de 400 quilômetros rio acima de Manaus.

Navegamos também no rio Acara, de onde fizemos um salto no rio Negro, ainda maior. Contamos com um mínimo de 50 quilômetros de mata para chegar até o primeiro canal acessível por lancha...

Do rio Acara na Amazônia
(S 00º 38´42" / W 62º 53´ 63")
www.expedicionturpial.com

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