Vôo de passageiros na

Autor: Sacha Haim
Data: 10/11/2000

Barcelona - Quando cheguei à Espanha, Barcelona, para fazer meu mestrado em arquitetura, fui convidado pelo piloto catalão Angel Aguirre (atual bi-campeão espanhol) e seu sócio Miquel Mesegué a trabalhar nos finais de semana na sua empresa de balonismo "Kon Tiki". Graças a isto, estou conhecendo lugares e paisagens maravilhosas com o "duro" oficio de levar passageiros.

Os clientes podem escolher quase qualquer lugar dentro da Catalunha, o que possibilita uma variação incrível de paisagens como, por exemplo:

Costa Brava, conhecida como uma das mais belas costas do Mediterrâneo, tem, além do próprio mar, o charme das famosas Illes Medes (um parque natural marinho).

Mont Serrat, a montanha sagrada da Catalunha, com formação de altas agulhas (chegando a 1200 metros) lembrando um castelo de areia.

Mont Sec d'Ares, com paredes verticais de até oitocentos metros. Voando-se acima dos 1.700 metros de altitude se avista, ao fundo, os picos com neve eterna dos Pirineus.

Pirineus, que possibilitam inúmeros vôos como, por exemplo, dentro do vale da Cerdenya. Acima dos três mil metros pode-se visualizar todos os picos.

Mas, o melhor de todos, é mesmo a travessia dos Pirineus, com saída da Espanha, chegando a mais de cinco mil metros de altitude num vôo de mais de três horas cruzando a cordilheira pirenaica e pousando no território francês.

As atividades começam por volta das seis horas da manhã, quando passageiros se encontram com a equipe de balonismo (um piloto e um membro da equipe de resgate) e o local a ser sobrevoado já foi pré-determinado. Inflamos o balão, com a participação dos passageiros. A princípio se pode notar na expressão no rosto de cada um uma mistura de medo e prazer mas, aos primeiros metros, já não se nota a de medo, apenas o prazer com os olhos tentando não deixar escapar nem um coelho que corre assustado a centenas de metros abaixo... A sensação é difícil de ser descrita, acho que a única maneira é mesmo experimentando...

O vôo dura cerca de uma hora e meia e, muitas vezes, tenho a sensação que desfruto mais do que eles. Além de curtir a paisagem, ainda posso escolher entre voar a três mil metros ou a poucos centímetros do chão, tocando levemente a copa das árvores, entrando com o cesto nos lagos.

Uma vez pousados, esperamos o carro de resgate para guardar o imenso balão colorido, que perde pouco a pouco seu volume, para se resumir novamente num cesto e num envelope que se guarda numa carreta puxada pelo 4x4. Chega a hora do café da manhã, que mais parece um almoço. Come-se muito bem neste país, sempre regado a vinho e "una copa de cava" (champanhe).

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kontiki@arrakis.es

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