Entrevista: Sacha Haim estará na disputa do Festival de Balonismo

Tema:Balonismo
Autor: Chris Bueno
Data: 17/4/2008

O Festival Internacional de Balonismo de Torres (RS) é um dos eventos mais tradicionais do esporte do Brasil e do mundo - este ano o evento completa duas décadas, sendo um dos únicos do planeta a se realizar por mais de 15 anos seguidos. E Sacha Haim é uma das figuras mais tradicionais do evento: campeão do Festival por cinco anos consecutivos, um dos únicos que conseguiu completar a prova do mastro (uma prova que exige muita técnica e precisão, em que o piloto tem que pegar uma chave presa em um mastro sem derrubá-la), e já se tornou presença obrigatória no evento. Sacha começou cedo no balonismo: fez seu primeiro vôo com apenas nove anos, aos 11 tornou-se navegador de seu pai e aos 19 tornou-se o mais jovem campeão brasileiro. Hoje, é tricampeão brasileiro, bicampeão do European Ballooning Festival, campeão Sul-Americano de Balonismo e campeão do I Open Brasil de Balonismo. A caminho do Festival de Torres, que acontece de 17 a 21 de abril, Sacha concedeu uma entrevista exclusiva ao 360 Graus. Confira!

360 Graus - O Festival Internacional de Balonismo de Torres completa 20 anos, e foi homologado em pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI) em 2006 por ser um dos três únicos festivais de balonismo do mundo a se realizar por mais de 15 anos consecutivos. O Festival está ficando muito grande! Como ele colaborou (e colabora) para colocar o balonismo brasileiro no cenário mundial? E o que isso representa para o Brasil?

Sacha – O Festival de Torres é muito importante para o balonismo brasileiro. Ele é um dos poucos eventos não competitivos do mundo que conseguiu a proeza de se repetir por 20 anos consecutivos, e isso é muita coisa. No ano passado, pessoas muito importantes ligadas a FIA (comissão de balonismo da FAI) vieram visitar o evento e saíram impressionadas. Pois é impressionante mesmo: o evento reúne cada vez mais pilotos – especialmente estrangeiros – e um público cada vez maior, num clima de festa e de confraternização. É impressionante também ver como a cidade de Torres abraçou o balonismo, e como ela se compromete com o festival. O evento não seria possível sem a participação ativa da prefeitura, da população, os patrocinadores, da cidade, enfim.

360 Graus - Você venceu o Festival de Torres cinco anos seguidos, e já se tornou presença obrigatória no mesmo. O que o evento representa para você?

Sacha – Eu tenho muito carinho por este evento. Sempre que participo do Festival de Torres eu procuro voar o melhor possível e, é claro, sempre tento ganhar. Tive sorte de vencer por cinco vezes seguidas. Na primeira vez eu fiquei muito feliz, mas cada nova vitória era mais inacreditável ainda. É um evento muito gostoso de participar, com muitas pessoas bacanas e um clima de confraternização. A preocupação maior não é a competição em si, mas a festa, o encontro de balonistas. Aliás, o evento é mais uma festa do que uma competição, como já dá pra ver pelo próprio nome.

360 Graus - Além disso, você foi um dos únicos que conseguiu completar a prova da chave (em que o balonista deve retirar uma chave colocada num mastro) - em 20 anos de evento, isso só foi conseguido em 1992, em 1998 e em 2002 (esta última por você). Você espera repetir a façanha?

Sacha – Eu vou tentar! Fiquei muito feliz quando consegui realizar a proeza em 2002. Eu quase repeti a façanha alguns anos depois no Festival, eu cheguei a pegar a chave, mas deixei cair no chão, e a prova só é válida se você consegue trazer a chave no cesto do balão, então não valeu. Mas eu consegui vencer esta prova no Campeonato Mundial de Balonismo realizado na Austrália em 2004. Então, eu peguei a chave duas vezes. O que é muito legal.

360 Graus - O que torna esta prova tão difícil?

Sacha – Esta é uma prova que exige muita precisão do piloto. E o que mostra que um piloto de balão é bom é a precisão. O piloto precisa ter muito controle do balão e fazer um vôo muito preciso para conseguir se aproximar do mastro e colocar a cesta na altura da chave. E ainda tem que conseguir pegar a chave sem derrubá-la!

360 Graus - Qual prova do Festival Internacional de Balonismo de Torres você considera mais difícil? E qual você gosta mais?

Sacha – O Festival tem, basicamente, duas provas principais: a de Fly In e a de Caça à Raposa. A de Fly In, em que o piloto tem que decolar fora da área do festival e jogar sua marca o mais próximo possível de um alvo delimitado dentro da área do evento, é uma prova mais técnica, que exige mais precisão do piloto. A de Caça à Raposa, em que o piloto tem que seguir um balão da organização e chegar o mais perto possível dele, já não é tão técnica e a sorte ajuda bastante o piloto. Do meu ponto de vista, eu acho a prova de Fly In mais difícil e gosto mais dela.

360 Graus - Como você se prepara para uma competição como esta?

Sacha – Ter muitos vôos, e voando em condições parecidas às do Festival é a maneira ideal para ficar afinado e fazer as provas o melhor possível. Guardada as devidas proporções, a gente pode fazer uma comparação com o golfe: quanto mais você joga, melhor você vai jogar. No balonismo é a mesma coisa, quanto mais você voa, você vai estar mais preparado, mais tranqüilo, vai saber usar melhor suas ferramentas, etc. Enfim, quanto mais você voa, melhor você voa. E eu tento fazer isso, na medida do possível.

360 Graus - Você se lembra do seu primeiro vôo? Como você se sentiu ao pilotar um balão pela primeira vez?

Sacha – Eu tinha nove anos no meu primeiro vôo, que foi em Americana, onde a gente atravessou uma represa. Eu achei demais, fiquei super animado, e vivia pedindo pro meu pai me levar de novo. Foi uma emoção muito grande, tanto que eu nunca vou esquecer este vôo.

360 Graus - Além da longa carreira, você tem balonismo “na veia”, já que o mesmo é praticado por outros membros da sua família. Como isso te influenciou? Você acha que isso vai influenciar seus filhos também?

Sacha – Isso me influenciou com certeza, afinal, foi meu pai que me levou em meus primeiros vôos e, de certo modo, despertou esta paixão em mim. E eu gostaria muito que meus filhos voassem também, mas é claro que não vou forçar. No momento, o balonismo brasileiro está passando por um momento muito difícil, muito triste, e eu acredito que alguém precisa “descer do céu” para fazer os pilotos se entenderem novamente, para trazer de volta a cooperação que havia. Espero que quando meus filhos começarem a voar, o clima de confraternização e amizade – que é tradicional de nosso balonismo – já tenha voltado.

360 Graus - Você tem uma longa carreira no balonismo. Sua visão sobre o esporte é diferente hoje do que quando começou? O que mudou?

Sacha – O que eu sinto que mudou principalmente foi a tranqüilidade. A experiência traz essa tranqüilidade. Você fica tranqüilo porque sabe controlar o balão melhor, sabe usar as ferramentas melhor, enfim, você sabe exatamente o que está fazendo e porque está fazendo. No começo tudo é novo, tudo é diferente, tudo é divertido. Com o tempo e a experiência, você se acostuma, você se familiariza e cria uma intimidade com o balonismo. Mas, é claro, nunca perde a emoção. O legal do balonismo é que não existe um piloto perfeito, estamos sempre aprendendo, aprimorando e descobrindo coisas novas. E também não existe um vôo igual ao outro: cada vôo é único, é uma nova descoberta, um novo aprendizado.





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