Uma aventura pelo céu de Rio Claro (SP)

Tema:Balonismo
Autor: Mariana Postali
Data: 10/5/2006

No último domingo (09), a Prefeitura Municipal de Rio Claro e a ABB (Associação Brasileira de Balonismo) convidaram a imprensa para participar da prova de apresentação do 1º Campeonato Sul-Americano, que acontecerá na cidade de Rio Claro, entre os dias 03 e 11 de junho.

Eu, Mariana Postali, jornalista do portal 360 Graus, fui conferir de perto todas as novidades da competição, que reunirá mais de 40 equipes de diversos países, como Brasil, Argentina e Uruguai, Venezuela, Bolívia, Peru e Paraguai. A cidade de Rio Claro, por suas condições geográficas e climáticas, apresenta um potencial enorme para a prática do esporte. Além disso, sua localização, hospitalidade e boa infra-estrutura, tornam a cidade excelente para a realização de festivais e campeonatos.

Nossa aventura começou exatamente às 06h15 de manhã. Por que tão cedo? O melhor horário para se voar é bem de manhãzinha, até umas 10h00, ou ao entardecer, depois das 17h00, por causa das térmicas, que são como grandes tubos de ar quente subindo até se transformarem em nuvens cúmulos, aquelas que parecem tufos de algodão no céu. Durante o dia, as térmicas podem deixar o balão descontrolado pois, por ser uma massa de ar de temperatura em variação, leva o balão para cima e numa outra para baixo. Em suma, havendo urubus no céu, é aconselhável não voar, pois estes voam basicamente graças às térmicas.

Quando chegamos ao Aeroclube da cidade, local de onde decolaríamos, onze balonistas estavam preparando todo o equipamento de vôo: Fábio Passos, Gabriela Slavec, Rubens Kalousdian, Ademir Brollaci, Mário Pierre, Antônio Carlos Giusti, Wagner Pascoalino, Edson Romagnoli, Paulinho e Mauro.

Fiquei feliz ao saber que voaria com Gabriela Slavec, Campeã do Festival Internacional de Torres 2006, que aconteceu no final do mês de abril e começo de maio, no Rio Grande do Sul. Gabriela é uma excelente profissional. Ela participa das competições de balonismo há dois anos e desde então vem crescendo e se destacando entre os pilotos. É uma das poucas mulheres brasileiras adeptas do esportes e que participam das provas.

A piloto mostrou-se tranqüila ao montar, junto com sua equipe de apoio, o balão. Enquanto observava todo o processo, passava pela minha cabeça: “Meus Deus, são tantos detalhes!!!! Espero que ninguém se esqueça de prender aquele cabo”. E fiquei observando até que algum membro da equipe pegasse o cabo e o prendesse em algum lugar. Acho que esses pensamentos são normais para uma pessoa que nunca voou de balão. Além disso, o cesto não parecia mostrar nenhuma segurança.

O balão é controlado através do maçarico e do pára-quedas, sendo que o maçarico aquece o balão fazendo-o subir, e o pára-quedas libera o ar quente esfriando-o e, portanto, fazendo-o descer. Só é possível ser entendida voando, pois lendo nas páginas de um livro não se pode ter a real noção do quanto se deve “queimar” para subir ou não deixar que o balão desça, pois este esfria constantemente.

Desta forma, o piloto controla o balão na sua ascensão e descida de acordo com a sua vontade pois, dependendo da altitude, podemos encontrar camadas de vento em direções diferentes, podendo desta forma escolher a melhor direção para atingir o local desejado. Esse é o espírito do balonismo.

Ficou combinado que eu e a jornalista Regiane Soares, do Diário do Turismo, de São Paulo, voaríamos juntas no balão colorido de Slavec. Um balão só com mulheres. A idéia estava nos distraindo quando percebemos que vários pilotos começaram a decolar. Foi então que Gabriela também achou que seria hora de entrar no cesto e decolar. De repente, todas aquelas brincadeiras deram lugar à ansiedade e à preocupação. O que eu sentia não era medo, mas uma expectativa para fazer algo que nunca tinha feito.

Entramos no cesto e posamos para mais uma foto... a última antes do vôo e em terra firme. Um barulho estranho aconteceu pela primeira vez. A Gabriela acionou o maçarico e um fogo forte deu início à nossa decolagem. A sensação de ansiedade desapareceu. Enquanto preparava a câmera, surgiu aquela curiosidade de saber como seria a vista lá de cima e como faria para tirar as fotos. Quando dei por mim, já havíamos subido mais de oito metros de altura.

Durante o vôo, a tripulação pôde desfrutar das magníficas vistas e da vantagem de estar em completo silêncio durante o período em que o maçarico não está sendo usado, pois este só é acionado por curtos períodos, quando se quer subir ou estabilizar o vôo. Era da Gabriela a responsabilidade de se preocupar com o maçarico, regulando a altitude do vôo com as “queimadas” e com a prova.

Estávamos no meio de uma disputa de balonismo. Leonel Brites, Diretor de Prova, escolheu uma competição que exigiria mais precisão dos pilotos. Chamada de “alvo declarado pelo juiz”, o objetivo era localizar o alvo no solo e jogar uma marca. Vence quem jogar mais perto. Por isso, a Gabi mostrou-se bastante concentrada durante o vôo. Muitas vezes pedia ajuda a equipe de apoio que estava de carro.

No balonismo é muito importante o trabalho de grupo. Óbvio que um bom piloto é indispensável, porém uma boa equipe é imprescindível. Caso esta falhe, desde o não cumprimento de ordens do piloto até a um comportamento não adequado, inclusive infração de trânsito, poderá acarretar uma penalização do piloto.

Enquanto o piloto voa, a equipe de resgate também tem suas aventuras, pois não é nada fácil seguir o balão sem ter noção de onde está indo. Muitas coisas podem ocorrer. Um pneu furado seria fácil de resolver, mas atravessar rios com a caminhonete ou atolar numa poça de lama no meio do nada já é um pouco mais problemático.

O alvo era uma cruz amarela no solo. Quando localizamos o ponto, Gabriela começou a descer o balão para conseguir melhor posição para jogar a marca. Mesmo sendo uma prova de apresentação, estava em jogo uma tonelada de gás como prêmio para o vencedor. De uma altura de quase 30 metros, a Gabi jogou a marca, mas não sabíamos se tinha sido um bom resultado porque muitos pilotos ainda não tinham jogado.

Nosso vôo durou cerca de 40 minutos. Conforme o balão descia e nos preparávamos para pousar, toda a agitação e barulho das grandes cidades voltaram. Começamos a ouvir gritos de crianças. Elas estavam impressionadas com o tamanho do balão. Quando pousamos no meio de um sítio da região, fomos interrogadas por muitos curiosos, principalmente crianças, que queriam saber por que havia tantos balões sobrevoando a cidade.

Essa experiência para mim foi única. Quando era criança gostava de ver aqueles balões grandes e coloridos em eventos, mas nunca achei que na minha vida, mesmo sendo uma jornalista, chegaria a voar de balão. Ainda mais com uma grande profissional como é a piloto Gabriela Slavec. Fica aqui meu grande abraço à Gabi e a sua equipe de apoio, que tiveram muita paciência e atenção com a imprensa.

Nesta reportagem:

» Galeria do Vôo de Apresentação do 1º Campeonato Sul-Americano de Balonismo
» Uma aventura pelo céu de Rio Claro (SP)





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