Gabriela Slavec comenta seu desempenho no Festival de Torres de Balonismo

Tema:Balonismo
Autor: Tatiana Gerasimenko
Data: 2/5/2005

Balonismo tem a ver com liberdade, com flexibilidade. Tem a ver com a capacidade de sentir as sutis variações da natureza e aproveitá-las para tornar o vôo ainda mais proveitoso. Que o diga Gabriela Slavec: com 29 anos, sua trajetória de vida já dá sinais da incrível capacidade de seguir adiante onde o vento é propício - e encarar sempre uma nova atividade promissora.

Formada em Geofísica, com mestrado na área, a brasileira é um dos poucos nomes femininos do balonismo no Brasil. Começou como observadora de competições em 1991, de onde tirou experiência para, em 2000, tornar-se piloto de balão. No 17º Festival Internacional de Torres (no Rio Grande do Sul), terminou a disputa em 13º lugar, sendo a única mulher presente a representar o nosso país no terceiro mais tradicional evento do esporte.

Além dos vôos, a sensação do balonismo nacional ainda encontra tempo para dedicar-se ao trabalho com marketing aéreo (em balonismo), atividades em espeleologia (mapeamento e exploração de cavernas), montanhismo, fotografia (com alguns prêmios recebidos) e trabalhos científicos publicados na área de Geofísica com menções honrosas (como a Láurea de Excelência Acadêmica da Universidade de São Paulo, USP). Tendo um gosto especial por viagens, Gabriela participa todos os anos do Honda Grand Prix de Balonismo no Japão, como oficial, carregando no currículo também os mundiais do Japão (1997), Áustria (1999), França (2002) e Austrália (2004).


360 Graus - Quando e como você começou a trabalhar na organização técnica de eventos de balonismo?

Foi em 1991. Já havia participado como equipe do piloto Salvator Haim, do I Encontro Brasileiro de Balonismo, em 1987... Mas, só em 1991 (com 15 anos) é que fui convidada para participar como Observadora no IV Campeonato Brasileiro de Balonismo, que aconteceu em Goiânia (GO). Foi lá que ganhei meu primeiro prêmio de melhor Observador e me apaixonei pelo esporte! A partir de então, comecei a participar de todos os Campeonatos Brasileiros e Paulistas. Em 1995 me tornei oficialmente a Chefe dos Observadores no Brasil e desde então sou responsável pela formação técnica dos Observadores e pelos Cursos realizados pela ABB, Associação Brasileira de Balonismo.

360 Graus - Quando decidiu encarar uma competição? O que precisou para isso??

Desde que eu entrei para o mundo do Balonismo, já pensava em competir. Entretanto, ainda tinha um longo caminho pela frente... primeiro, para conseguir tirar o meu brevê de piloto (que aconteceu em junho de 2000)... depois para conseguir todo o equipamento, balão, carro para transportar tudo, etc...

Mesmo sendo piloto desde 2000, comecei a competir apenas no ano passado, já no Campeonato Brasileiro consegui todo o equipamento emprestado e, enfim, consegui realizar esse sonho! Para o próximo brasileiro, minha equipe já terá todo o equipamento e o balão, o que certamente vai contribuir para uma melhor colocação no ranking final!

360 Graus - Até agora, quais foram as principais competições em que participou?

Então ... primeiro competi em Piracicaba, no Brasileiro de 2004. O Festival de Torres, que aconteceu na semana passada, foi minha segunda competição! Tínhamos dois objetivos principais por lá:

1. ficar na primeira metade dos pilotos no resultado final
2. não ir pousar no mar ...

Conseguimos atingir os dois objetivos, ficando em 13º lugar de 26 pilotos! Chegamos a pousar na praia, mas sem qualquer risco de vôo para o mar!

360 Graus - Como se sente tendo sido a única brasileira a participar do Festival de Torres este ano?

Sendo a única mulher atualmente competindo no Brasil, eu vejo como as diferenças atraem... O público torcia para nós... a imprensa nos deu destaque ... senti um carinho especial por parte da organização do evento e dos pilotos. Isso é bom! Competitivamente, percebi que as mulheres podem chegar ao mesmo nível dos homens, dentro do Balonismo ... voamos bem, talvez até com mais tranqüilidade, o que ajuda bastante nas aproximações aos alvos e no planejamento dos vôos. Temos este diferencial que atrai a mídia... agora estamos buscando patrocinadores que também queiram aparecer mais e colocar sua marca nos céus do Brasil!

360 Graus - 13ª colocação é uma posição de destaque, se levarmos em consideração que há poucas mulheres praticando o balonismo. O que você espera a partir deste resultado?

Com o 13º lugar, atingimos nosso objetivo na competição... Os vôos serviram de treinamento para os próximos eventos, inclusive para o Brasileiro de 2005 ... Somos uma equipe bastante competitiva, que usa novas tecnologias... Isso tudo aliado ao conhecimento técnico de 15 anos de trabalho como oficial em competições, tanto no Brasil quanto lá fora, em Mundiais ou eventos Internacionais, só me leva a querer melhorar sempre! Para o Brasileiro, quero estar entre os 10 primeiros colocados!

360 Graus - Qual é a sua prova (modalidade) preferida?

Minha preferida é aquela em que vou bem ... (risos) Gosto de provas de estratégia, que precisam de um planejamento de vôo, como as de triângulo ou de máxima distância ...

360 Graus - Como é praticar um esporte dominado pelos homens?

Acho que todos os esportes podem ser praticados tanto pelos homens quanto pelas mulheres ... o que é legal no Balonismo é que, pelo menos por enquanto, podemos competir com eles, sem divisão de classes tipo feminino e masculino, e obter bons resultados!!!

360 Graus - O que o balonista deve levar em consideração durante o vôo?

Antes de mais nada, me preocupo com a segurança do vôo... Se tudo está OK, vamos voar ... Em campeonatos, o objetivo é cumprir as tarefas da melhor forma possível. Em vôos livres, procuro voar baixinho, curtindo a natureza!

360 Graus - Quais os conselhos para as pessoas interessadas em começar a voar de balão? O que é necessário?

Primeiro é legal experimentar... fazer um vôo! Várias empresas oferecem esse tipo de vôo, inclusive a nossa... Os valores variam entre 250 e 300 reais. Outra coisa legal é acompanhar um evento ou campeonato, ver os balões de perto, entender como funcionam, conversar com os pilotos, sentir o “clima” do Balonismo! Vários eventos acontecem durante o ano no Brasil. O Brasileiro acontece todo ano, o Festival em Torres também ... outros eventos menores acontecem periodicamente!

Se o interesse é mais em participar de competições, é possível se tornar um oficial de competição ... este é um caminho interessante, pois você fica em contato com todas as equipes, conhece a fundo as regras da competição, trabalha com pontuação e resultados! Para se tornar oficial, as pessoas podem entrar em contato direto comigo (balonismo@terra.com.br) ou com a ABB (secretaria@abb.org.br)

360 Graus - O que é o balonismo para você?

O Balonismo para mim é liberdade... deixar a vida acontecer, seguindo para onde os ventos me levarem!

*Em breve os interessados por balonismo terão mais um endereço na internet para conhecer mais um pouquinho da atividade: www.balonismonoar.com.br. Fique atento!





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