Confira a entrevista com Sacha Haim - tetracampeão brasileiro no Festival de Torres

Tema:Balonismo
Autor: Tatiana Gerasimenko
Data: 11/4/2005

Em um dos mais tradicionais eventos de balonismo no Brasil - Festival Internacional de Torres -, ele é tetracampeão. Venceu o Campeonato Brasileiro de Balonismo três vezes e assegura lugar no Mundial onde, em 2004, conseguiu pegar uma das cinco chaves em mastros espalhados pelo campo na Austrália - uma das provas mais difíceis do esporte. A performance no balonismo vem de cedo: desde que conheceu o balão de ar quente, exerceu a função de navegador do pai nos vôos que realizava. Confira a entrevista com o balonista que hoje se destaca como um dos talentos mais jovens do segmento no Brasil

360 Graus - Quando você soube que estava apaixonado pelo balonismo?

Meu pai foi convidado por dois amigos ingleses para fazer um vôo em 1985. Para mim, daquele dia em diante o acordar “muuuito” cedo nos finais de semana deixou de ser um problema (lembrando que, normalmente, decolamos de manhã logo após o nascer do Sol).

360 Graus - Você acha que o balonismo consiste mais na integração do piloto com a natureza do que, propriamente, em toda a técnica disponível (utilização de instrumentos)?

Todo piloto de balão deve sim estar muito atento ao clima. Qualquer nuvem, fumaça, vento mais forte ou em uma determinada direção pode ser um indicativo importante para o desempenho do vôo. Os instrumentos de vôo são uma ajuda muito útil, principalmente em vôos de competição.

360 Graus - Qual é o melhor momento do vôo?

Esta é uma pergunta difícil ... Na verdade, o vôo é cheio de bons momentos: a decolagem, quando o balão se afasta rapidamente do solo, leve como uma pluma ... O vôo, o flutuar suavemente, ou o subir e descer a seis metros por segundo, deformando bastante a forma de gota invertida do balão. O pouso, o momento tido por muitos como o de maior emoção ou radicalismo ... como não temos trem de pouso e muito menos breque, toca se segurar com força enquanto o atrito do cesto com o chão diminui a velocidade do balão até a parada final!

360 Graus - Você é arquiteto. Você acha que existe alguma relação entre a sua escolha como profissional e a sua história no balonismo (em termos estéticos)?

Eu me tornei balonista antes de decidir cursar Arquitetura. Na verdade, quando comecei com o balonismo, eu achava que seguiria os passos do meu pai, engenheiro mecânico. Quando comecei a fazer Arquitetura descobri que tinha o melhor meio de observar as mais diversas construções arquitetônicas e ainda, a organização urbanística das várias cidade que sobrevoei.

360 Graus - Para você, quais são os requisitos para ser um bom piloto de balão?

A sensibilidade para sentir o comportamento do balão a cada segundo é, na minha opinião, a principal virtude de um bom piloto. Daí para frente é como em qualquer atividade: a dedicação é muito importante. O maior perigo está na fase em que nós, pilotos, achamos que já sabemos voar muito bem. É aí que os acidentes podem acontecer.

360 Graus - Qual foi o vôo mais marcante? Por quê?

Difícil definir um só ... O com o maior visual foi uma travessia que fiz da Espanha para a França, cruzando os Pirineus a 5.500 metros, sem oxigênio. O mais emocionante foi durante um campeonato brasileiro em São Lourenço, em Minas Gerais, quando eu fiz uma aproximação de vôo com ventos de superfície e consegui, depois de quase uma hora, voltar e jogar a menos de três metros do alvo. Ganhei a prova! O mais assustador foi em um mundial da Áustria onde, durante um dos vôos competitivos, não tínhamos 10 centímetros de visibilidade ... Voei com meu irmão, e estávamos ambos com as “antenas” totalmente sintonizadas nos maçaricos dos outros balões, dando uns berros vez por outra. Por pura sorte não houve nenhuma colisão.

360 Graus - Existe algum tipo de preparação específica para a prática do balonismo?

Na verdade o piloto em si não precisa ter grandes preparos, se contar com uma equipe forte. Esta é uma grande vantagem do balonismo: os pilotos podem voar por muitos anos de forma muito competitiva. Basta passar por chek-up do hospital da aeronáutica ou por algum médico cadastrado.

360 Graus - Qual esporte de aventura que mais se aproxima do balonismo, e por quê?

No balonismo temos um pouco de tudo. O vôo em si talvez possa ser comparada com um vôo de parapente, a favor do vento (sem vento relativo), e com a possibilidade de subir quando quiser, com o acionamento do maçarico (sem depender das térmicas). O resgate pode ser considerado um pouco parecido com o feito em ralies.

360 Graus - Qual é o próximo desafio em mente?

Minha classificação para o próximo Campeonato Mundial, que será realizado no Japão em 2006. Para isso, preciso ir bem no Campeonato Brasileiro este ano, e ficar no primeiro lugar do ranking (sou o atual campeão).

360 Graus - Como você definiria o balonismo, para uma pessoa que não soubesse o que é? (descrevendo, inclusive, e emoção?)

Flutuar ou simplesmente pairar no céu, desfrutando de uma incrível paisagem e um silêncio, quebrado ver ou outra pelo maçarico. A emoção está no próprio controle do balão ou, ainda, do vôo em lugares mais remotos, voando baixo e conversando com as pessoas, colhendo uma ou outra flor no ponto mais alto de alguma árvore ...





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